quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Concretude (Reafirmação do Descontrole Matinal)

Era uma noite como todas as outras. A diferença estava naquilo que poderia se chamar de concreto. Não que não pudéssemos de forma alguma diferenciá-la em suas especificidades; pelo contrário, poderíamos facilmente vê-la como é, única, impossível de se colocar em um mesmo grupo. Porém, como objeto de vislumbre limitado, era simplesmente como outra qualquer. Já não havia em seus olhos mais nada. Aquela visão chocante de sua própria imagem o assustou. Assustou a quem, muitos hão de se perguntar. Pois bem, assustou aquele que lhes conta essa história sobre uma noite qualquer. O seu recurso era possivelmente apenas perguntar para todos quem ele era; e mesmo assim, o medo das respostas doloridas fez com que seu coração se fechasse. Seus melhores momentos são aqueles nos quais ele pode simplesmente desabilitar o externo, voltar-se para o interno e crer no concreto. Depois de muito tempo, ele reafirmou para si mesmo seus dogmas vazios, suas vontades desvairadas e esdrúxulas de tentar com doce facilidade controlar sua indomável vida. Pobre tolo juvenil! Mal sabe ele que já perdera o controle ao tentar tê-lo. Ninguém pode mandar em seus sentimentos, afinal, o cérebro é um parvo bobo, que não segue pelas vontades de seu soberano. Obedece apenas à sua própria loucura, e dela, surgem suas mais belas artes circenses, com as quais as ciências e suas razões são desfeitas na primeira piada do primeiro ato. Mas, tal como um devaneio, descontrolado e desenfreado, esse passa, e com coragem, pode-se voltar à deliciosa variabilidade da vida. Parte de toda razão se encontrar no desejo de entender o que se quer; pois veja bem, desejamos saber o que desejar! Não era diferente com o nosso pobre guri da noite qualquer. Ele também estava nessa, porém, seu coração parara de lhe pregar peças e agora lhe mostrava um sentido abruptamente correto para si. Ele estava entendendo aos poucos o que negava com palavras. Mas, a vida tratou de lhe mostrar o óbvio: o que se fez no pretérito da fase não há de se modificar com uma simples conjectura; o fato existe, pode ao máximo a situação ser modificada no futuro, porém nunca alterada tal como foi antes, evitando que o que quer se modificar não ocorra. E foi assim que o desejo que julgou encontrar tornou-se mais um de seus devaneios irritantes, tanto para se lembrar quanto para se contar, então se me permite caro leitor, vou poupá-lo da razão venenosa das palavras que aqui escrevo. Peço apenas que acredite em mim, a mesma não vale tanto quanto justificar a concretude do que lhe digo. Pois bem, ele desejou o momento frio e caótico de sempre. Há tempos que ele sempre o repete, pelo mesmo desejo que corrói seu corpo. Ele o faz pelo coração duro, frio, que não possa ser cortado ou perfurado, um coração brilhante e ao mesmo tempo protetor. Ele o faz por seu coração de aço, o qual não seria ferido. A camada interna está protegida? Do que lhe adianta? Enrijecer suas idéias não o fará mais forte, apenas o tornará mais desumano. Não, ele busca uma proteção externa ao mundo, a sua fuga, a sua solidão. Esse é o mistério que assola o jovem da noite qualquer; ele nunca desejou o céu, mas se perguntado para onde queria ir, ele não saberia dizer. Só queria ficar longe do abismo, que acima de tudo, leva a assumir a morte de sua poesia. Porém, tudo que lhes digo é na manhã seguinte, onde ele está sóbrio e sua cura se chama conformismo. Toda a concretude observada é justamente o que ele não quer admitir, embora claro esteja. Não esteve louco ao sonhar com o findável. Esteve louco ao escrever que o esteve.

Att,

Bruno Costa.

sábado, 2 de outubro de 2010

Comentando

Três textos dos antigos, que nem me lembrava mais que existiam. Dá realmente trabalho pensar em como me expressar nestes dias cinzas. Acho que deve ser porque eu sou apaixonado por cinza. Até a próxima.

Mais um dia



Mais um dia, menos tempo, todos os meus amores são contratempos.

Vento, vento, dia após o outro procuro tempo, para meu sonho em catavento, tempo, tempo.

Eu dizia eu te amo, eu acreditava no teu amo, e juntos conjugavámos errado um verbo estranho, possuo e tu não possues, tu me tens e errado supus que era recíproco em tu o que achei claro e expus.

Sonho, sonho, agora tristonho, acredito no amor que um dia me deu, e agora sem ele, arrisco, morri, sem pena e sem jeito, sem razão para sorrir.

Agora percebo, desisto de crer, a minha razão é um novo amor ter.

Por que sem ti eu já não posso mais viver, e se não fico mais em seu abraço, para te encontrar no céu hei de morrer.

Velhice

Mais um dia se passou, estou mais velho agora? Estou menos inteiro por hora? A cada vez que eu penso a minha convicção depende da razão de eu existir. Sou importante? Para quem? Porque? Já não sei mais, acreditava em um paraíso e descobri que o meu inferno é bem mais plausível, caminhei atrás de Atlântida e me afoguei nos mares da Califórnia, bem mais quente no final. Sou homem ou sou Deus, determino ou determinado hei de ser? Acredito no mundo, desacredito de mim. Não sou um pouco, não sou nada, sou o amor que nunca pude dizer, sou as minhas perdas passadas, sou um pouco de tudo que nunca existiu... Tenho medo de estar certo estando errado!

Anjos Eternos

O que são anjos? Não sei, quem há de saber? São crianças fartas e com olhos claros, cabelos loiros e de sorrisos calmos? Quem são eles meu Deus? Estou rodeado de pessoas calmas demais para o meu dia a dia! Quero a loucura do momento, romper as harpas, arrancar as asas, e desejar o corpo sacrossanto e intocado! Quero exercer o momento a meu bel prazer, e se tudo mais falhar, ser uma criança e correndo implorar-lhe o perdão, com arrependimento sincero de momento. O que são anjos? São seres de eterna contradição, são os divinos ateus do céu, crentes no amor dos homens e na divina visão.

sábado, 31 de julho de 2010

Have been I his love before?



Have been I his love before?
Bruno Costa

There's no point, I’m a slave of the past
After all, I don't foresee the future
And I'm strongly stuck on old things
But I do not want to go even

Have been I his love before, in any one day?
At the moment I’m not, only an unknown
It isn't your heart that says, is my that sounded
Yes, dear, one day I've been his love

The tears that I cry when I remember
In a happy day or another sad holiday
Whatever, is no longer the same thing
I can only say once, so don’t ask me to repeat

Have been I his love before, in any one day?
At the moment I’m not, only an unknown
It isn't your heart that says, is my that sounded
Yes, dear, one day I've been his love

At the nightclub, guys laugh and drink on behalf of oblivion
For many life is a game, that there is no winner
For me it makes no difference, keep following
But, today I discovered that I don't have way, after all

Have been I his love before, in any one day?
At the moment I’m not, only an unknown
It isn't your heart that says, is my that sounded
Yes, dear, one day I've been his love

---

Agradecimentos muito especiais a Mariana, minha amiga que ajudou pacientemente na transcrição do poema para o inglês. Beijos, Mari!

domingo, 4 de julho de 2010

Aviso

VIAJANDO. Off-line por mais ou menos duas semanas, na volta, texto e reflexão novos. Até. =)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Só Comentários

Nesses dias estranhos, foram só comentários. Comentaram imagens, comentaram ações, só comentários. Foi o que fiz, foi o que disse que fiz, foi o que não fiz. Mas, foram, e esses indomáveis e freqüentes, foram só comentários. Passaram dias, passaram horas e também minutos. O tempo passou, a vida levou, quem foi se entregou, e se arrependeu depois, quem prendeu sofreu, e se arrependeu na hora. Que dia, que tempo e em que lugar? Não importa, o que houve foram só comentários. Acreditaram tanto em desacreditar nas coisas, que na hora de confiar desconfiaram do que deveria lhes sustentar. Mas eram pessoas, horas, e como tais devem ser imprevisíveis. Não lhe cabe julgar, lhe cabe selecionar. Elas aparecem, somem, desfazem. E depois reerguem-se, e nada mudará, afinal de contas, tudo isso foram só comentários. Desmonte planetas, horas bolas, deixe apenas inteiro aquilo que não for metade, evitando assim que a propagação das incertezas fracionárias se dê de tal forma que você espere da parte o que cabe ao todo. Mas não se acanhe, no final das contas, perceberá que tudo que lhe disseram, nada foi real, foram só comentários...

sábado, 22 de maio de 2010

Atraso

Por razões diversas, estou atrasando meus textos, mas, enfim, eu volto a postá-los. Novidades em breve.

Saudades



Saudades
Bruno Costa

Hoje eu penso em você como outrora
Sua imagem paira sobre minha cabeça
Eu queria estar contigo tão só agora
Antes que a doce lembrança desvaneça

Não quero esquecer o que peguei de ti
A alegria de sorrir e de querer mais
Não chorar nas tragédias ou vendavais
E poder ir embora sem dizer que parti

Pois me aguardarás e no coração estarei
Mesmo que tempo passe e muito embora
Não estejamos juntos em viva presença

Gravando sua vida e na sua alma ficarei
Pois no seu sorriso está a minha aurora
E no seu amor permanece minha crença.

sábado, 1 de maio de 2010

Reabertura

Reabertura. Os assuntos extraordinários estão oficialmente encerrados.

Mãos dadas

Mãos dadas
Bruno Costa

No dia que te vi o meu mundo mudou
Foi uma chave para uma nova emoção
Algo bem diferente do que fui e que sou
Era um amor que batia em meu coração

Num belo dia ao meu lado você estava
Olhando em tua face quando tentei ver
Perdido, pensamentos eu divagava
Meu coração clamava, desejava te ter

Para mim foi um abismo que ultrapassei
Sorriso singelo, gesto comum e qualquer
Tua mão toquei, entre as minhas segurei

E como teu amigo, espero o que der e vier
Com teu beijo eu sonho e hoje nele pensei:
Não deixarei de amar um momento sequer.

terça-feira, 16 de março de 2010

Pausa Temporária

Pausa Temporária para Assuntos Extraordinários. Volto em Breve.

Meu tempo acabou

Meu tempo acabou
Bruno Costa

Já soou o sinal e o meu relógio badalou
Onde estive, onde estou, quem me dirá?
Ressoa meu coração, meu tempo acabou
O que a minha escolha ao destino fará?

Eu que falei de amor por muito tempo
Dediquei versos parcos a uma história boa
Eu que nunca escrevi simples como o vento
Agora quero saber como é que o tempo voa

Sou egoísta por sonhar comigo e contigo
Sou triste por nem um ou o outro poder ter
Sonhos, nada mais que um conto antigo

Já que a razão de eu querer tudo é o viver
Ao teu lado esperar como um doce amigo
Que o mal da solidão em ti quer esquecer.

Domínio

Domínio
Bruno Costa

O chicote vibra e atinge a carne quente
O grito de prazer mistura-se a dor inerte
O gemido pede: pare continuamente!
A Dona bate, o escravo pede que aperte

E ambos se extasiam com o momento
Um no desejo realizado de sua dominação
O outro no domínio animal de seu coração
E ambos no frio soar do chicote ao vento

E o suor corre, o corpo arde e implora
É o prazer da carne, o ópio da mente
É o calor de um corpo que agora aflora

Em meio o mais puro desejo intermitente
Levanta, segura a dona, é minha vez agora
Ambos repetem o seu prazer inversamente.

Poética em Chamas, Ato II

E
le gritava incrédulo. Perdido naquele mar de tormentos frios, aos quais foi entregue ainda jovem, quando seu corpo fora macerado pelo terror dos desejos malignos dos dominadores de tua essência, pelos desígnios dos devoradores da tua liberdade. Ele, marcado pelo fogo com o símbolo dos seus donos, agora clamava por sangue. Era uma festa, era um banquete em honra da anarquia. Seu corpo todo tremia, sua voz rouca gemia forte, o fuzil em sua mão rosnava ao se dirigir aos frágeis preservadores da maldita paz poética, da falsidade de sua ideologia, do trono que lhe tirara a vida. Sangue, sangue, berrava a multidão enlouquecida, embrenhada de álcool e de ferrões. Era o momento da revolução.
Mais de uma vez ele atirou, atingiu os velhacos guardiões de poderosos, derrubou-os as centenas. Seu olhar era demoníaco, sua verdade sanguinária e pura. Ele quebrou os grilhões de sua volúpia e de sua preguiça, levantou da enfermidade do ócio corrompido e foi as armas em favor da revolução. A marca de seu suor na camisa, manchado de sangue do outro soldado inimigo, morto com a lâmina que carregava o cheiro pútrido do pecado capital, condenado nos altares sacro-santos e louvado no clamor dos rebeldes da alma.
Ele não era esquerdista, ele odiava política. O fogo queimou sua concepção de mundo, seus sonhos voláteis se desfaziam em meio ao ódio incerto que atingia sua mente, a liberdade tão aguardada, podia senti-la, podia amá-la, seu calor acolhedor é tão diferente do ódio maldito que agora percorria sua vida... Ele prostituiu sua beleza interna, vendeu-se aos ideais premeditados, matou pelo seu rosto. Seu egoísmo construiu seu caminho, suas derrotas o seu desejo de grandeza. Ele na verdade era frágil, era mortal. Mas na sua mortalidade, conquistara o sonho de ser alguém. E por esse sonho, nada se interpolaria.
Um único disparo, vindo da retaguarda. Um aliado, com olhar maléfico e deseducado, com palavreado cortês e língua amarga, reflexos de sua própria falha, atingiu-o, determinando assim o fim de sua liberdade tão aclamada. Ele foi mais um, apenas mais um desses que não entram para a história. Seria épico, se não fosse um duelo em sua própria alma. Seria bonito, se não lhe coubesse apenas a derrota. Mas, ao lado deste, que com todo seu fulgor, brilhou com as lágrimas sinceras de um sonho perdido, ergueu-se vorazmente outro soldado, que com fúria alvejou o traidor. Lágrimas e terror. Era a máquina sedenta que pedia por isso. Era o combustível eterno e imprescindível. Ele gritava incrédulo. Era o momento da revolução.

sábado, 13 de março de 2010

Luz da Madrugada

Luz da Madrugada
Bruno Costa

Na noite mais fria, profunda e sem coração
Quando sonhos afundam na pura desilusão
Aparece uma luz que ilumina, que se anuncia
Sou a senhora do seu prazer e da sua alegria

Temeroso, me afasto, e encaro a calorosa luz
Quem é você, que à noite o brilho do dia conduz?
Ela responde com seu jeito alegre e vibrante
Sou libertação, sou sua palavra, sou inebriante

E na forma de uma bela mulher ela me arrasa
E destrói o meu coração sem nem pensar
E faz do meu amor mais do que fogo em brasa

E mesmo quando o dia for a seu mais tardar
Estarei nos seus dedos ligando-os ao coração
Pois sou sua bela luz, sou a sua inspiração.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lágrimas e sangue

Lágrimas e sangue
Bruno Costa

Hoje dói o meu coração abandonado
Que por ti cantou muitas, inúmeras vezes
Hoje choram os meus olhos transtornados
Daquele que lhe amou mais de cem vezes

São lágrimas marcadas por pura volúpia
Um desejo maligno que é vivo ao luar
É gesto de um bom ladrão que surrupia
É meu sofrimento que vai de mar em mar

Meu sangue derramado em cada verso
Só sou poeta por lhe amar para sempre
Pois com ele eu posso passar, atravesso

O deserto, sua ausência, e sigo em frente
Mesmo no caminho pedregoso, indigesto
E por isso eu posso amar-te eternamente.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Afeto



Afeto

Bruno Costa

Prende-me fortemente em seu braço
Tortura-me imensamente com seu afeto
Escraviza-me eternamente com seu traço
Dá-me vivamente algo comum, concreto

Não me jures algo que não vá cumprir
Mas não deixa de dizer-me o impossível
Não prometa que eu não vá me sentir
Menos com o seu amor do que o visível

Faz-me sonhar toda a bela noite contigo
Perder o que nunca tive em hora qualquer
Seus pensamentos, leve somente consigo

E não ouse me dizer o que eu não quiser
Suma a ilusão do seu afeto e seu castigo
E deixarei meu coração pro que der e vier.

A Morte dos Sonhos

Calma, a luz clara entra pela janela. O vento vem devagar, uma brisa, que talvez entre pela fresta da porta da sala, passe pelo corredor e pela cozinha, antes de adentrar o quarto. As cobertas emaranhadas, o lençol já jogado nos pés. O corpo preguiçoso, como se a noite toda não lhe bastasse para o descanso, e a vontade de ficar jogado no conforto dos travesseiros por horas a mais. O estômago se contrai suavemente, informando o desejo por se alimentar. Hora do café da manhã, segundo alguns estudiosos a refeição mais importante do dia. Suavemente senta na cama, os pés procuram os chinelos, que parecem estar jogados embaixo do móvel. Os braços se esticam, a coluna é colocada no lugar, os ossos estralam aos poucos, um alongamento corajoso logo pelo começo do dia.
Caminha até o banheiro, joga água no rosto, e observa-se no espelho. A barba por fazer, os olhos esverdeados com a luz da lâmpada, amarela, que deixa sua pele com uma tonalidade doentia; o cabelo dourado é molhado na água da pia, deixando escorrer o líquido por demais, molhando o tórax nu e desprotegido. As mãos buscam a toalha, seca o rosto, escova os dentes como aprendera há muito tempo no jardim de infância. Se passou muito tempo desde aquela época, e como todos, acredita que essa foi a mais bela de sua vida, muito embora não tenha feito nada de especial na mesma. Faz a barba, e a toalha, agora úmida, pinga suavemente após todos os procedimentos.
Vai até a cozinha, abre a geladeira, pega o leite, queijo, presunto, manteiga... Um pouco do suco da noite anterior. Vai à busca do pão de forma, prático para quem tem que sair rápido. Olha a mesa da Sala de Jantar, grande e para quatro lugares, apesar de morar sozinho. Sente falta de alguém com quem dividir a refeição, fica feliz por poder fazer o que quiser. Toma um café rápido, com tudo que sempre come. Eu deveria comprar peito de peru, mas, não poderei pagar a internet se continuar a fazer maiores gastos, pensa. Vai até o quarto, arruma a cama e sobre ela coloca as roupas separadas no dia anterior. Lava a louça na cozinha, vai até o banheiro e toma banho. Troca-se. Os projetos largados sobre a mesa do computador são rapidamente organizados para serem entregues ao cliente. É uma bela ponte, afinal.
Olha para o relógio, pensa em ligar para sua namorada, desiste, faz isso mais tarde, talvez no trabalho. Olha para o relógio de novo, faltam quinze minutos para sair, mas não quero me adiantar. Bom, sairei, não tenho nada o que aguardar. Abre a porta, tranca-a. Os pés caminham pela escada, são apenas três andares afinal. Logo toma a rua, e o apartamento, pequeno, fica para trás a cada passo. Na esquina, o ponto, onde várias pessoas aguardam o mesmo ônibus. Um pouco de calor humano, relembrando as palavras de anos atrás, quando ainda pretendia sair de um lugar como aquele. Alguns momentos depois, o ônibus chega lotado, uma batalha interessante para se entrar. Depois de alguns minutos, todos se acomodam, e o tubo com os seus projetos fica paralelo ao chão, talvez na altura de seus ombros, carregado amigavelmente por três pessoas, embora as mesmas não concordem com a afirmação.
Uma hora depois, ele desce. Agora vem o metro, embora mais rápido, não espera menos comodidade do que o transporte anterior. Depois de alguns instantes, chega a sua estação. Ele desce, caminha alguns metros, passa por pessoas e mais pessoas. Uma bela moça, cabelos ruivos e curvas maldosas, passa por ele. Seus olhos se desviam no seu rebolado, mas a mesma parece ignorá-lo, como normalmente as pessoas o fazem. Nada de especial, era o que ele era e se considerava. Lembrou da namorada, sentiu uma pequena consciência pesada, que logo passou ao olhar para a porta do escritório. Uma acolhida amigavelmente falsa, como todos os dias. Vai ao seu lugar, abre os projetos, escolhe os necessários e se dirige ao chefe. Mostra-os, enquanto tenta explicar calmamente as suas idéias.
Alguns olhares depois, o projeto recebe o carimbo de rejeitado. Corte de gastos supérfluos, e olha só, uma noite a menos de vida. Era uma bela ponte, afinal. Depois de um tempo, a base estrutural é repassada a um dos arquitetos consagrados do escritório, que retoques depois, de puro mau gosto, pensa ele, tem o projeto aprovado com as modificações. A paga pelo trabalho, dez por cento do valor do projeto pela base, quarenta para o arquiteto que gentilmente corrigiu o projeto e cinqüenta do escritório. Sexta Feira, quase mais um fim de semana em casa, estudando para passar na pós. Ele sorri, assina os documentos de seus dez por cento, e senta-se para trabalhar em outros dez por cento seguintes, dessa vez uma pequena praça ao lado de um pequeno condomínio.
O dia acaba, e ele não liga para a namorada, como previsto. Seu corpo dói, seus olhos enchem-se de lágrimas. Não, ele não fez nada, nem se feriu por nada. O braço limpa as mesmas, antes de passar o cartão e atravessar a catraca. O metro, o ônibus, o apartamento. Ele queria ir para a Itália, talvez para a França ou Inglaterra. Comprar um Sedan, morar na Pompéia se possível. Queria poder sair aos Domingos, ver o Sol se pôr com um amor, que distante, não mais o via. O que é viver? O que é o novo? Perguntava-se sem respostas. Era ele, o engenheiro, era ele, o sobrevivente. Depois de algum tempo, fica mecânico. Um amor de verdade, daqueles de fazer sorrir, uma vida de verdade, daquelas de fazer inveja a todos... Ser notado, mas ele não era nada demais. Só mais um na multidão. Um deserto com pessoas.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Amor, amor, para sempre amor



Amor, amor, para sempre amor
Bruno Costa

Com palavras não se escreve uma vida
Sem sonhos e desejos menos se faz
Não adianta ser o grande poeta da Ilíada
Se não sabe ver o bem que o amor trás

Você me disse que era puro, verdadeiro
Jurou em lábios, sangue, que era eterno
Deixou meu coração sem um paradeiro
E largou o meu amor ao longo inverno

Disse que por outro agora seu coração vibra
E nada mais do que o meu passado você é
Minhas lágrimas, meu sentimento equilibra

E como um dos seus amigos eu fico em pé
Vendo o meu romance por poucas libras
Amor, amor, para sempre amor, a minha fé.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Até chegar a hora

Até chegar a hora
Bruno Costa

Todos os dias que eu acordo eu penso
E relembro momentos que me fizeram
Construíram o que sou e o meu senso
De todas as pessoas que aqui estiveram

Por isso arrisco: meu pensamento é seu
Não existe mais destino sem adorar-te
Por você eu posso até ser um anjo ateu
Só para te chamar de deusa e louvar-te

Espero seu amor como uma nova vida
Por ele não existe um tempo ou um agora
Seu amor é o meu cálice, minha querida

Espero-te o necessário, muito embora
Eu sofra e minha vida seja só descolorida
Ainda assim te espero até chegar a hora.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Amor Inicial



Amor inicial

Bruno Costa

Eu encontrei um amor que me dizia
Acredita menino, eu existo bem aqui
E ele estava nos lugares onde eu vivia
Era olhar pros lados e estava bem ali

O amor que um dia me sorriu e disse
Que era para ser meu eternamente
Ele me pediu para que na dor o visse
E acredite em sua força hoje e sempre

Esse é tão somente o meu amor inicial
Do qual derivam todos os seus desejos
Esse é também o meu amor primordial

E se de fato não me perco em seus beijos
É porque seu sorriso também é sensacional
E em seu olhar desaparecem meus anseios.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Amor de poeta



Amor de poeta
Bruno Costa

O meu amor por ti é um amor de mil anos
É o amor dos cavaleiros e é o dos faraós
O meu amor por ti estava fora dos planos
Até o momento que te vi e ficamos a sós

No seu beijo doce ele se mostra quente
Nas suas palavras ele se muda e fica terno
Nos sonhos, só ele domina a minha mente
Faz de mim um poeta que vive e é eterno

Eu só consigo escrever porque tenho a ti
Minha história advém da sua minha senhora
É bem mais puro e sincero o que agora senti

É por você que meu coração palpita toda hora
E faz de tudo que um dia eu arrisco que vivi
Simples sonho, pois é por você que vivo agora.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Sonhos completos

Sonhos completos
Bruno Costa

Acordo durante a noite para pensar
O faço porque me ponho a lembrar
Dos belos sonhos que tive há pouco
Dos seus beijos que me deixam louco

Da sua beleza puramente estonteante
Do seu sorriso fortemente contagiante
E dessa lembrança me faço admirado
Pois me trás felicidade de bom grado

E em meio aos devaneios que eu passo
Apaixono-me, sorrio, canto e poetizo
Pois em meio a sua presença eu me faço

E ao amanhecer do dia que agora digo
Eu me recordo por fim de ti, nostálgico
E percebo que só serei feliz contigo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Nascimento

Nascimento
Bruno Costa

Um dia se vai e com ele as memórias
De tudo que fiz, passei, gostei e senti
Fico pensando e conto muitas histórias
Todas são lembranças de dias que vivi

E junto com o dia morre um ser velho
E com o amanhecer nasce um novo ser
Memórias, sensações em que me espelho
Transitam entre nuvens, me fazem crer

Que esse novo dia que nasce é especial
Porque ele faz parte de um novo ano
E que nesse réveillon tudo é bem real

São várias promessas, um grande plano
Junto com o carinho será sensacional
Viver com vocês todos neste novo ano.