domingo, 20 de setembro de 2009

O Destino do Poeta

O Destino do Poeta

Bruno Costa


Adormecer, crer, viver e só responder

Caminhar, lutar, acreditar e só sonhar

O destino do poeta é tão só escrever

O destino do poeta é tão só amar


O destino do poeta é tão só sofrer

Escrever nas paragens do amor singelo

O destino do poeta é tão só querer

Construir um amor como um castelo


Não olhar para trás, sem se arrepender

Para aí descobrir o significado de viver

Amar até o fim da razão de seu mundo


Ver o horizonte melhor e nele querer

Enterrar anseios no coração profundo

Dias melhores, mais um destino de poeta.

Divergências Humanas

O ser humano é complexo e inexplicável. Somos a união da racionalidade e do sentimento, da fé e da ciência. Por isso somos incompletos e variáveis, não temos necessariamente uma linha clara de ação. E disso podemos tirar grande parte da nossa criatividade e potencialidade criadora. Aproveitamos as nossas próprias desilusões e criamos ao nosso redor uma atmosfera que nos pressiona e transformamos isso em parte do processo. Sistematizamos a realidade e transcrevemo-la para o papel em forma de exponenciais da vida humana. Pode ser uma pintura, escultura ou poesia, o que for. Elas representam não um objeto de desejo, comercial ou com fator definido. Arte é um exponencial da humanidade, e tão só assim deveria ser tratada. Mas, nós humanos somos divergentes; Então, o mais provável é que cada um a veja de forma distinta.


Mas no que se baseiam as nossas diferenças? Pensamentos, palavras, modo de agir. Somos um único ser, que já foi nomeado, ou talvez inventado, a sociedade. E dentro dela igualamos seres diferentes e elaborados em uma única massa que chamamos de humanidade. Esquecer do que nos diferencia é tirar dos homens a capacidade de serem eles próprios, é condenar ao esquecimento da coletividade alguém que pensa, reflete e vive. É nessas diferenças que surgem os maiores multiplicadores das vertentes humanas mais vivas, os maiores cientistas e autores da nossa história. Como diria o físico alemão Albert Einstein, “Uma mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao tamanho original”. Logo, se o sonho de igualdade forçada fosse real, não haveria novos conceitos, apenas o que todos pensam.


Nenhuma pessoa é melhor que outra. Ser diferente não é ser melhor. Relembrando mais nomes que fizeram a diferença, Charles Darwin, naturalista inglês – aliás, esse ano é comemorado o aniversário do livro “A Origem das Espécies”, leiam caso tenham oportunidade – diria: “As espécies com maior variabilidade são as mais prováveis de sobreviver e deixar descendentes férteis”. Então as nossas diferenças não só auxiliam a criar, mas também a nos adaptar. No final, são elas as construtoras da hegemonia e da soberania humana no mundo. Por isso, valorizemos as diferenças que constroem, adaptam e nos trazem o progresso. Um mundo melhor se constrói com o pleno entendimento de como nós existimos e vivemos. Ninguém é melhor do que ninguém. Mas podemos ser melhores do que antes, e sempre progredir.


Portanto, viva a diferença, viva a inovação. Que o homem não pereça nas suas velhas tradições desgastadas, que crie e invente. Que a suprema mistura das raças, a suprema mistura das culturas, a suprema visão de mundo que é construída pelas bases de concreto armado e marfim unidas pelos ângulos retos de nossos adornos barrocos dite a regra do mundo. O legal não é ser igual. O legal é inovar, é misturar, é ser diferente. Que nosso mundo divergente e por isso humano demonstre a superioridade da existência dos homens. Melhores do que ontem, melhores do que hoje, o futuro, a diferença a realidade vista nos olhos de uma criança que não vê problema em quem é diferente.

sábado, 12 de setembro de 2009

Desconstruindo, Refazendo e Remodelando.

Pela enésima vez, talvez a última, pelo menos nos próximos meses, um novo começo, um novo blog. Acho que já repeti isso tantas vezes que caio no descrédito para com meu público, que mesmo pequeno, sempre foi fiel e conservador. Mas o que pude fazer, O Poeta e o Caleidoscópio encerrou-se por si só, e tudo o que sobrou foram as poucas lembranças das poesias. Alguém ainda recorda? Fase Romântica, Fase Sensual e a mal explorada Fase Platônica? Os textos sentimentais e melodramáticos com retoques de criação poética? Acredito que não. Se lembram-se, não deveriam, essas fases passaram como tudo deve passar e evoluir. O sentido da vida, é esse: Desconstruir, Refazer e Remodelar. Sempre abertos aos novos parâmetros da existência humana, sempre desenvolvendo ao máximo a nossa criatividade e visão de mundo, e o melhor, desenhando a realidade nos toques de puro criacionismo exacerbado e modelador. Claro, sempre com o toque do talento humano, modéstia à parte, o meu é a escrita.
Mas, ainda assim devo várias explicações e talvez nem mesmo linhas e linhas sem fim poderiam justificar meus atos. Agora sobrou pouca coisa (nem se quer salvei os poemas) já que meu objetivo era destruir toda a minha criação poética e fazê-la de novo, do zero, evoluí-la. Meus traços românticos e simbolistas eram válidos, mas contrastavam drasticamente com o meu objetivo que sempre foi escrever sobre o mundo. Eu descrevi muitas vezes coisas indescritíveis, e outras tantas mal pude me conter nas palavras, correndo o imenso risco de me tornar prolixo. Mas um escritor deve dar asas a imaginação, então tanto faz. Provavelmente o interesse geral seja o que virá de agora para frente; Mas o que poderei eu dizer? Não prevejo. Talvez não venha nada, talvez venha tudo. O importante é sorrir, é chorar e existir. Sem mais delongas (já me tornei prolixo novamente) encerro por hoje e por essa semana os posts do blog.
Antes que me cobrem - sei que devo muito, mas aguardem - não tem poesia minha essa semana. Mas eu lhes deixo com um mestre, talvez o melhor de todos em poesia - depende do conceito - Vinicius de Moraes.

O poeta

I

Quantos somos, não sei... Somos um, talvez dois, três, talvez, quatro; cinco, talvez nada
Talvez a multiplicação de cinco em cinco mil e cujos restos encheriam doze terras
Quantos, não sei... Só sei que somos muitos – o desespero da dízima infinita
E que somos belos deuses mas somos trágicos.

Viemos de longe... Quem sabe no sono de Deus tenhamos aparecido como espectros
Da boca ardente dos vulcões ou da orbita cega dos lagos desaparecidos
Quem sabe tenhamos germinado misteriosamente do sono cauterizado das batalhas
Ou do ventre das baleias quem sabe tenhamos surgido?

Viemos de longe – trazemos em nós o orgulho do anjo rebelado
Do que criou e fez nascer o fogo da ilimitada e altíssima misericórdia
Trazemos em nós o orgulho de sermos úlceras no eterno corpo de Jó
E não púrpura e ouro no corpo efêmero de Faraó.

Nascemos da fonte e viemos puros porque herdeiros do sangue
E também disformes porque – ai dos escravos! não há beleza nas origens
Voávamos – Deus dera a asa do bem e a asa do mal às nossas formas impalpáveis
Recolhendo a alma das coisas para o castigo e para a perfeição na vida eterna.

Nascemos da fonte e dentro das eras vagamos como sementes invisíveis o coração dos mundos e dos homens
Deixando atrás de nós o espaço como a memória latente da nossa vida anterior
Porque o espaço é o tempo morto – e o espaço é a memória do poeta
Como o tempo vivo é a memória do homem sobre a terra.

Foi muito antes dos pássaros – apenas rolavam na esfera os cantos de Deus
E apenas a sua sombra imensa cruzava o ar como um farol alucinado...
Existíamos já... No caos de Deus girávamos como o pó prisioneiro da vertigem
Mas de onde viéramos nós e por que privilégio recebido?

E enquanto o eterno tirava da música vazia a harmonia criadora
E da harmonia criadora a ordem dos seres e da ordem dos seres o amor
E do amor a morte e da morte o tempo e do tempo o sofrimento
E do sofrimento a contemplação e da contemplação a serenidade ínperecível

Nós percorríamos como estranhas larvas a forma patética dos astros
Assistimos ao mistério da revelação dosTrópicos e dos Signos
Como, não sei... Éramos a primeira manifestação da divindade
Éramos o primeiro ovo se fecundando à cálida centelha.

Vivemos o inconsciente das idades nos braços palpitantes dos ciclones
E as germinações da carne no dorso descarnado dos luares
Assistimos ao mistério da revelação dos Trópicos e dos Signos
E a espantosa encantação dos eclipses e das esfinges.

Descemos longamente o espelho contemplativo das águas dos rios do Éden
E vimos, entre os animais, o homem possuir doidamente a fêmea sobre a relva
Seguimos… E quando o decurião feriu o peito de Deus crucificado
Como borboletas de sangue brotamos da carne aberta e para o amor celestial voamos.

Quantos somos, não sei... somos um, talvez dois, três, talvez quatro; cinco, talvez, nada
Talvez a multiplicação de cinco mil e cujos restos encheriam doze terras
Quantos, não sei… Somos a constelação perdida que caminha largando estrelas
Somos a estrela perdida que caminha desfeita em luz.

Ps.: Lembrando que esse é só um trecho do poema, se quiser o completo, você acha aqui.