quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Lembra-me de outrora


Lembra-me de outrora

Bruno Costa

Lembra-me de outrora em meus sonhos
De quando só o amor me importava
Lembra-me com teus lábios risonhos
De quando a felicidade me transportava

Fazei eu me perder em seus belos olhos
E delinear seu corpo em meus desejos
Fazei que eu encontre de novo um foco
A razão suprema dos eternos anseios

E hei de me perder em algum tempo
Enquanto em meio ao seu doce beijo
Cantarei aos brados do divino advento
Encontrarei então uma forma, um meio

E um dia seu amor e sua beleza puros
Farão de mim um homem completo
E hei de ser muito feliz para sempre
Mesmo no futuro mais que incerto.

Cinco Pontos para Mudar de Vida [I - V]

Primeiro Ponto“Acredite em si mesmo”. Apesar de ser um clichê, e muita gente dizer isso, poucos ouvem realmente o que essa frase quer dizer. Ninguém vai te mostrar o caminho correto ou dizer o que você deve fazer. Apenas você conhece seus próprios problemas e angústias, e sabe a solução para eles. Quando analisamos a nossa própria situação somos capazes de tomar as melhores decisões e por diversas vezes capazes também de alterar o destino que nos é imposto pela atual conjuntura. O que nos dificulta e faz dessa tarefa simples algo árduo e desanimador é a nossa própria síndrome de auto-piedade e a opinião alheia, que influenciam os nossos próprios desejos e ambições. Basta raciocinar cartesianamente: a nossa felicidade depende exclusivamente do modo como encaramos a via e a vivemos, e não das situações que nos são impostas. Apenas a forma como você vai encarar obstáculo por obstáculo, passar pelas dificuldades é que vai definir o quão feliz você será. Nós normalmente não paramos para pensar que todas as dificuldades que enfrentamos são desafios e que é o desejo de superá-los que faz da vida algo divertido e verdadeiro. Acreditamos em uma felicidade perfeita e intocável, livre de problemas e de situações delicadas, e esquecemos que se tal coisa existisse - e não existe - ela não seria anda mais do que fútil e desagradavelmente irrelevante. Só sonhamos com o ócio porque não o vivenciamos, pois se nossa situação fosse a inversa, desejaríamos com toda a certeza o oposto, que é a nossa atual situação. Por isso, acredite. Pois se você não acreditar, ninguém há de fazê-lo. E a cada desafio que encontrar, erga a cabeça e grite que nada há de lhe parar, e que você derrotará quem vier contra ti. Lembre-se de tudo o que quer e sonha, lembre-se que você é o deus de seu próprio mundo e o herói de sua história. Acredite. E quando algo tentar lhe fazer chorar, você deve rir ironicamente e dizer: “Nem no dia mais escuro, na noite mais fria ou na tempestade mais assustadora eu hei de abandonar a minha fé em mim mesmo. Você não me derrotará”. Você deve passar de cabeça erguida, já esperando o próximo desafio.

sábado, 24 de outubro de 2009

O Trem

O Trem
Bruno Costa

Na estação estou sozinho à névoa
Em companhia do doce e frio luar
Espero sombra, me vêm vento e chuva
Tudo me esquece, me faz desvairar

Coração perdido com fome de sonhos
Procuro no céu estrelas e vejo nuvens
Um arrastar de metal forte é o som
Trilhos é o trem que trás as mágoas

Abre a porta, é um crack, interjeição
Entro, a água escorre e minha alma vai
Chão de ferro me faz perder a razão

Volta o arrastar e com ele o desejo
Escorre a água e minha alma vai
Olhando nos vidros a multidão.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mundo Desumano

Mundo Desumano

Olha só, esqueça não vou olhar, mas olhe, é aquele garoto, não, não é, você não pode ignorá-lo para sempre, posso sim, ele não existe, mas é sua consciência falando, não, não é, posso provar que não é, e se ele me roubar, e se ele me estuprar, não vou parar, tenho filhos para criar, não posso me dar ao luxo, você não tem o direito de me julgar, não sabe o que é ter alguém a quem cuidar, alguém para embalar em meio a uma canção de ninar, ele também é uma criança enfim, e fome ele está passando, não sou sua mãe, não posso fazer, mas ele está triste, parece um anjo caído, não, não posso, não tenho dinheiro, não tenho tempo, ele que procure uma igreja ou uma instituição responsável, mas todos nós não somos responsáveis por nós mesmos, mas isso não importa, ninguém nunca se quer me ajudou, porque hei de ajudá-lo, porque é um ciclo e alguém deve quebrá-lo, porque esse alguém tem de ser eu, estou passando, só quero ir embora, ir para casa cozinhar, ver meus filhos e meu marido, não posso parar, se parar me roubam ou até mesmo o menino, e se ele comprar drogas com o dinheiro, ou até mesmo armas, não posso arriscar, ele é um marginal, um vadio, um ladrão e por isso está na rua, mas como há de saber, nem falar com ele você falou, sei pelos olhos, essa gente é ruim de natureza, nasceram para fazer o mal, não diga isso é uma criança e tem fome, pare o carro, abra a janela, dê a volta ajude-o, não dê dinheiro, alimente-o, ele precisa de mais do que migalhas, com fome ninguém tem futuro, esse sinal que não abre, esse trânsito infernal, da próxima vez vou de ônibus, não chegarei nunca, olhe para o menino, já disse que não olharei, ele não existe, e se existe merece onde está, porque julga-o tanto se nem sabe pelo que ele passa, é só abrir a janela e chamá-lo para comer, ele é um garoto e deve estar faminto, você não pode deixá-lo assim, e se ele morrer, se ninguém mais o ver, você aprendeu a ignorá-lo e se todos forem assim, se todos interpretarem que ele não merece misericórdia, quem é você para dizer o que devo fazer, não passa de um desvairo, não passa da minha imaginação ridícula, olha só, ele está andando, está com frio, é a chuva, a chuva começou a cair, ele vai adoecer, não tem ninguém que pode ajudá-lo, será que ninguém me ouve, será que todos esqueceram do que é ser humano, vou ligar o MP4, não quero mais te ouvir, já me estressou, e eu preciso de silêncio, tive um dia duro, trabalhei como uma escrava, me deixe no meu mundo, ouvir a minha música favorita, talvez uma canção de amor, talvez um ato de rebeldia, o garoto, ele só queria um pouco de atenção, você o ignora, e quem será ele então, sua música canta amor, e você apresenta dor, sua música diz revolução, e você canta ilusão, lálálálálá, faz isso porque não o encara, não tentou jamais vê-lo, conhecê-lo, lálálálálá, não lhe incomodarei mais, tenho que ir ao shopping amanhã, tem umas blusas lindas que decidi comprar, tem coisas belas que decidi usar, acho que preciso de um par de sapatos, talvez dois, tem uma festa amanhã, a chefe vai estar lá, é hora de investir na promoção, carreira e sucesso lá vou eu, que música linda, eu nunca a tinha ouvido, agora percebo que é realmente bela, porcaria de farol, não abre, esses carros, essa cidade está lotada de carros, as pessoas deveriam se conscientizar e andar de ônibus, vou abrir a janela e gritar, talvez buzinar um pouco, fazer esse povo andar, não posso esquecer da gasolina, está cara mas dá para andar, lutei para comprar meu carro, mereço o conforto do mesmo, que bom que a voz parou, como se eu tivesse algo à ver com aquele menino, aliás, que menino, não há menino algum, agora olho e vejo que era tudo coisa da minha cabeça, essas peças que nos pregam, pensando bem, eu vou dar uma passada na doutora, tenho tido muitas alucinações, talvez ela me passe um remédio e eu esqueça, desse jeito não vou chegar a tempo da novela, esse povo que não anda, em casa meus filhos tem fome, bando de lesmas, onde já se viu deixar crianças passando fome, isso é um absurdo, eles chegam da escola e querem comer, para poder dormir e crescer, a culpa será de vocês caso eles passem mal, meu marido coitado, trabalha o dia todo e merece um descanso e o alimento de todo dia, essa favela aqui ao lado que não para de crescer, cadê o planejamento urbano, a percepção do espaço, não, não há, o governo deveria fazer algo, desse modo, é estranho, agora está andando mas bem devagar, me esqueci de marcar com a manicure, droga, será horrível achar hora agora, que azar, mas o que, parou de novo, desse jeito não vou chegar, uma cristã não pode nem ao menos descansar, atirei pedra na cruz, não fui a missas suficientes, meu Deus eu só quero em casa chegar, e hoje não consigo, estou a horas no trânsito, isso é desumano, vou ligar e reclamar, juntar alguns amigos e protestar, a situação está caótica, não posso assim continuar, nem em casa vou chegar, que tipo de lugar é este, lugar feio, tem pobreza, tem pessoas, onde já se viu, vivem procriando por aí, tem milhares de filhos e depois não podem cuidar, aí o dinheiro não dá e ficam nessa situação, esse povo deveria ser castrado, o gente ruim, depois viram assaltantes e roubam pessoas de família que só querem chegar em casa, hoje tem jogo, meu marido via querer ver, será que ele já chegou, não sei, vou ligar, homem, você já chegou, estou presa no trânsito, próximo a favela, estou assustada, pode ser perigoso, é de noite e tem vários vagabundos nas ruas, encostados nas paredes, tenho medo de tentarem me roubar, desde tão jovens entregues ao crime e as drogas, se acalme, logo há de andar, se ficar com muito medo, ligue para a polícia, eles não vão tentar nada, só estamos com um pouco de fome, não como há horas, desde o almoço e já é meio tarde, como posso esquentar algo, não se preocupe, logo hei de chegar, mas frite alguns nuggets e sirva para você e para as crianças até eu chegar, desculpe por fazê-los esperar, cobre a lição de casa, eles tem que ser alguém na vida, não podem se tornar vadios, a professora falou que um deles cabulou aula, não pode, eles podem se envolver com más companhias, más companhias que tem fome, o que você disse, eu nada, tudo bem, então até daqui a pouco, até, eu te amo, eu também, que homem maravilhoso que eu tenho, hoje a noite vai ser especial, ele nem vai conseguir trabalhar amanhã, que porcaria, agora começou a andar, vou sair daqui, de perto desses bandidos mirins, olha, eles estão se aproximando daquela moça, ela abriu a bolsa, é um assalto, um guarda, eles correram, coitada, ela deve estar muito assustada, também, que irresponsável, andar sozinha à noite por aqui, ela diz algo ao guarda, eles discutem, o que houve, não sei, não dá para ouvir, provavelmente ela está brigando por ele não ter vigiado a rua direito, bem feito, esses incompetentes, deveriam prender e sumir com esses animais, esses ladrões e bandidos, desde tão jovens no mundo do crime, eles tinham fome e ela foi ajudá-los, você de novo, como pode saber, não fique especulando sobre as pessoas, já estou chegando em casa, e vou finalmente descansar, que dia mais tirano, que dia mais desumano.

A Razão da Chuva


A Razão da Chuva

Bruno Costa

A chuva cai e lava o céu dos pecados
Encobre as belezas e mistérios da vida
Encosta e acolhe os corações intocados
Faz com os amantes e outrem uma dívida

Lágrimas dos anjos do céu e da terra
Chuva lúcida que acalma a fria tristeza
Que lava a alma e tão só a desterra
Faz de todos nós seres de pura realeza

Chuva que destrói e constrói mil razões
Que trás a todos grandes emoções
Chuva que está acima do bem e do mal

E dos homens e de seu desejo mortal
Chuva que enternece os puros corações
Chuva desejada, divina, chuva irreal.

sábado, 10 de outubro de 2009

O Reino dos Homens


O Reino dos Homens

Bruno Costa

Ó doce coração enamorado de estrelas
Que goza que ri e que chora por um sonho
Perdeu-se no mar em meio suas cabeleiras
E agora olha com um sentir tão tristonho

Queres o prazer terrestre ó doce coração
Sem abandonardes o céu e seus serafins
Isso és pouco mais do que uma pura ilusão
Não atingiras o céu se grudado a terra enfim

Queres a vida pacata da família e do luar
Queres as luzes da noite em seu patamar
Queres aos filhos poder um dia cantar

Queres junto às mulheres poder gozar
Você pertence sim ao reino dos homens
Pois tu és pura contradição, ó doce coração.

Poeta às Avessas

Sem razões, sem explicações. Não existe um modo de se delinear alguém ou definir quem essa pessoa é. Muito menos conseguimos definir a nós mesmos, já que a nossa perspectiva sempre leva em conta os nossos próprios sonhos e desejos, e nunca uma visão exterior aos nossos próprios sentidos. Somos nossas próprias palavras, embora abandonemos as nossas perspectivas individuais pelas prerrogativas externas e façamos dos desejos alheios a nossa própria individualidade. Preservamos apenas parte do que consideramos nosso – embora não tenhamos nada propriamente nosso que já não tenha sido pregado em um contrato social – e isso faz de nós um pouco mais do que simples massa de retorno, um pouco mais do que o resultado de uma construção social. Deixamos os nossos instintos e a nossa individualidade para sermos um ser social, apresentável e contido, seguidor das regras e pressupostos coletivos.
Não sou muito mais do que esse pressuposto. Uma imagem social, um ser contido e figurativo num mundo ao qual não escolheu. Nascido em uma época, nascido em um local e com uma vida. Determinado ao fracasso ou à glória, determinado a agir como um homem ou como um Deus, isso não diferencia muito mais dos anseios dos diversos homens que se declararam únicos e especiais. Ser diferente é ser especial, embora poucas pessoas possam afirmar que são diferentes; Todos nós desejamos fugir à inércia social, e claramente deixar essa situação de constrangimento em que não podemos expressar o que realmente sonhamos e queremos. Quando alguém diz que você não pode fazer algo e lhe proíbe de fazê-lo simplesmente está lhe dizendo que o seu desejo é inferior à sociedade. Já dizia o iluminista “O homem abre mão de sua liberdade para ter segurança”, e atualmente nós concluímos que além de estar certo, ainda aumentamos o seu conceito de segurança e liberdade, entregando além de nossa liberdade física e emocional, a nossa razão e as nossas idéias;
Porque o homem que vende seu corpo e seu tempo, trabalha pelo sustento e lucro alheio não pode vender além de tudo as suas idéias? Somos a catástrofe do processo, o meio termo inócuo e sem vida. Deixamo-nos para trás e somos o que nos é imposto. Mesmo desejando a mudança, nos entregamos ao sentir próprio. Escolhemos o eu, e esquecemo-nos do que construímos. Não existe visão de um ser isolado e que viva exclusivamente do eu, independente de qualquer outra pessoa. Dependemos única e exclusivamente das nossas relações e contradições, das brigas e das conciliações, dependemos da morte e da vida de outrem. Não existem idéias sem raciocínio prévio. E o nosso mundo está carente de idéias, pois nos largamos a pensar no coletivo e esquecemos o individual, mas ao mesmo tempo pensamos em nós mesmos, e esquecemo-nos do que a nossa vida é circundada: pessoas. Embora essa ambigüidade seja clara, ainda assim continuamos no processo do famoso lema: “dividir para conquistar”, e somos a suprema divisão conjunta.
Que visão de mundo nós podemos ter a partir dos dados criados? Não existe reposta. Se houvesse tal explicação não existiriam filósofos e menos ainda sociólogos. A nossa própria existência culmina na necessidade de criar esses personagens que expliquem mesmo que um pouco o nosso próprio destino. Os poetas se extinguiriam, já que a contradição humana some, e essa é sem dúvida a fonte de toda a criatividade, a fonte de toda a realização, a eterna contradição humana. Alheios e participantes do processo, nós somos a massa e somos o individuo. Não sabemos se o que importa é o bem estar coletivo ou a satisfação das nossas próprias vontades; Facilmente manipuláveis e alienáveis. Nossos vícios e nossos ópios que nos fazem esquecer a razão de ainda estarmos presentes e contínuos do processo, engrenagens que querem ascender a engrenagens. Não há saída nem visão de mundo agradável a nós mesmos. Criticamos e botamos a culpa no externo, nunca é contra a nossa própria razão, e sempre é contra a razão coletiva. Quem nunca ouviu a frase: “Devemos nos unir e mudar a situação!”, pois esta é sem dúvida a maior manobra de reação entre as chamadas “cabeças pensantes”.
Mas até mesmo em um meio de revolta à maré, revolta ao processo e contra as imposições sociais, o mundo cria e controla a alienação inversa; Pessoas que se julgam superiores a análise alheia e que divulgam um ideal aos quais poucos conhecem. A alienação de esquerda – um termo político, mas que cai bem a definir tais revoltosos – que se julgam críticos do sistema e da suas contradições, mas tão embora sejam apenas negadores totais e absolutos da atual realidade, e que não enxergam nada de bom e aproveitável na existência humana. Tal julgamento é tão ou mais danoso e nocivo a mudança da realidade social medíocre em que vivemos quanto se invertermos a consciência: a alienação total. Ao negar o mundo e rejeitar os traços existentes lutando por uma mudança radical e sem base estrutural eles danificam as próprias idéias. O ato de rebeldia não é nada mais do que pura vadiagem caso não ataque a base do sistema. Criticar o sistema sem atacar profundamente suas bases e sua existência não é tão melhor do que não criticá-lo.
Assim sendo, os homens não criaram uma forma de convivência pacifica e igualitária. Somos nada mais do que resultado da união de seres diferentes e iguais quando unidos em multidão. O anseio de milhares morre na sede de um só. E ouvimos poesia, vamos ao teatro e tocamos harpa em meio ao esquecimento e a dor de todo o sempre. Assim vivemos e assim morremos: simples anjos esquecidos em meio à terra dos homens. E no meio de tanta escuridão e dúvida, sempre surge um raio de sol, que indica o começo de um novo dia, onde venderemos novamente a nossa alma e a nossa liberdade em troca da segurança da rotina. E a quebra de tal paradigma é punida na forma da perda do ópio e do vício de cada dia, que nos faz bem enquanto dura. Não há saída do processo, enquanto gostarmos do processo. Protestar sem largar os próprios vícios é ineficaz. É enganar a si próprio, coisa que com o tempo, se torna outro vício.
Portanto, sou a existência construída pelo tempo e pelas contradições humanas. Um ser individual e coletivo, que prefere visualizar mais coisas a apenas uma situação momentânea e passageira, que prefere ver o que foi construído e pode ser modificado. Não duvido que as minhas próprias conclusões tenham sido construídas a partir de vários conceitos sociais, e que eu também seja criatura surgida das ambigüidades modernas. Mas em meio ao desvairo e a desistência das pessoas, a sua inércia social, seja essa como alienação ou como negação dos preceitos, sou uma pessoa que pensa mudar o mundo, nem que seja o seu próprio. Fui forjado ao fogo das armas da revolução com o mármore do palácio real, tendo como acabamento o ferro das cruzes cristãs lustradas com os óleos das meretrizes do maior Saloon de Paris; Existo como o eterno paradoxo das idéias humanas, desde as crises emocionais ao grito dos revoltosos vitoriosos. Não existo em mim, já que nenhum de nós existe em si mesmo. Não tenho nada demais, mas prezo pelo valor das minhas idéias. Sou a fina flor das contradições humanas, a jóia lapidada onde mil poetas morreram sobre os cadáveres de mil filósofos; Sou a pedra que não virou angular, sou o meio e o fracasso do processo, muito prazer, sou Bruno Costa.