terça-feira, 16 de março de 2010

Pausa Temporária

Pausa Temporária para Assuntos Extraordinários. Volto em Breve.

Meu tempo acabou

Meu tempo acabou
Bruno Costa

Já soou o sinal e o meu relógio badalou
Onde estive, onde estou, quem me dirá?
Ressoa meu coração, meu tempo acabou
O que a minha escolha ao destino fará?

Eu que falei de amor por muito tempo
Dediquei versos parcos a uma história boa
Eu que nunca escrevi simples como o vento
Agora quero saber como é que o tempo voa

Sou egoísta por sonhar comigo e contigo
Sou triste por nem um ou o outro poder ter
Sonhos, nada mais que um conto antigo

Já que a razão de eu querer tudo é o viver
Ao teu lado esperar como um doce amigo
Que o mal da solidão em ti quer esquecer.

Domínio

Domínio
Bruno Costa

O chicote vibra e atinge a carne quente
O grito de prazer mistura-se a dor inerte
O gemido pede: pare continuamente!
A Dona bate, o escravo pede que aperte

E ambos se extasiam com o momento
Um no desejo realizado de sua dominação
O outro no domínio animal de seu coração
E ambos no frio soar do chicote ao vento

E o suor corre, o corpo arde e implora
É o prazer da carne, o ópio da mente
É o calor de um corpo que agora aflora

Em meio o mais puro desejo intermitente
Levanta, segura a dona, é minha vez agora
Ambos repetem o seu prazer inversamente.

Poética em Chamas, Ato II

E
le gritava incrédulo. Perdido naquele mar de tormentos frios, aos quais foi entregue ainda jovem, quando seu corpo fora macerado pelo terror dos desejos malignos dos dominadores de tua essência, pelos desígnios dos devoradores da tua liberdade. Ele, marcado pelo fogo com o símbolo dos seus donos, agora clamava por sangue. Era uma festa, era um banquete em honra da anarquia. Seu corpo todo tremia, sua voz rouca gemia forte, o fuzil em sua mão rosnava ao se dirigir aos frágeis preservadores da maldita paz poética, da falsidade de sua ideologia, do trono que lhe tirara a vida. Sangue, sangue, berrava a multidão enlouquecida, embrenhada de álcool e de ferrões. Era o momento da revolução.
Mais de uma vez ele atirou, atingiu os velhacos guardiões de poderosos, derrubou-os as centenas. Seu olhar era demoníaco, sua verdade sanguinária e pura. Ele quebrou os grilhões de sua volúpia e de sua preguiça, levantou da enfermidade do ócio corrompido e foi as armas em favor da revolução. A marca de seu suor na camisa, manchado de sangue do outro soldado inimigo, morto com a lâmina que carregava o cheiro pútrido do pecado capital, condenado nos altares sacro-santos e louvado no clamor dos rebeldes da alma.
Ele não era esquerdista, ele odiava política. O fogo queimou sua concepção de mundo, seus sonhos voláteis se desfaziam em meio ao ódio incerto que atingia sua mente, a liberdade tão aguardada, podia senti-la, podia amá-la, seu calor acolhedor é tão diferente do ódio maldito que agora percorria sua vida... Ele prostituiu sua beleza interna, vendeu-se aos ideais premeditados, matou pelo seu rosto. Seu egoísmo construiu seu caminho, suas derrotas o seu desejo de grandeza. Ele na verdade era frágil, era mortal. Mas na sua mortalidade, conquistara o sonho de ser alguém. E por esse sonho, nada se interpolaria.
Um único disparo, vindo da retaguarda. Um aliado, com olhar maléfico e deseducado, com palavreado cortês e língua amarga, reflexos de sua própria falha, atingiu-o, determinando assim o fim de sua liberdade tão aclamada. Ele foi mais um, apenas mais um desses que não entram para a história. Seria épico, se não fosse um duelo em sua própria alma. Seria bonito, se não lhe coubesse apenas a derrota. Mas, ao lado deste, que com todo seu fulgor, brilhou com as lágrimas sinceras de um sonho perdido, ergueu-se vorazmente outro soldado, que com fúria alvejou o traidor. Lágrimas e terror. Era a máquina sedenta que pedia por isso. Era o combustível eterno e imprescindível. Ele gritava incrédulo. Era o momento da revolução.