segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Soneto único



Soneto único
Bruno Costa

Meu amor posto em folha de papel
Sentimento que acorda o coração
Escrito em versos, palavras em fel
Um desejo único e sem dimensão

Nas noites frias o olhar entristecido
Nos dias calmos, largado ao spleen
Alterno momentos de vida perdido
Já que sem seu amor eu não fico sem

Choro, e meu coração se entrega a ti
Vejo seu amor por outro e me desfaço
E rasgo no papel os sonhos que escrevi

Mas sem ti eu já não posso mais viver
E se já não fico em meio ao seu abraço
Para te encontrar no céu eu hei de morrer.

Uma história com asas

Havia uma vez um pequeno anjo no céu. Ele era travesso, e gostava de pular de estrela em estrela, pendurar nas constelações e deixava todo o dever de casa para depois... Esse anjo era o coração de um menino. Coração com asas, e que voava longe... Coração doce, inocente e de mel... O menino cresceu e o anjo também, e ambos começaram a se desencontrar, já que o anjo era o coração do garoto, agora mais velho, o garoto era parte do anjo que era parte do garoto. Em um belo dia de Sol, o anjo se apaixonou por outro anjo, lá perto de Vênus, logo depois de passar pelo Astro-Rei. O outro anjo era lindo, cabelos brilhantes e que refletiam a luz... Seu sorriso contagiava, e nem mesmo as super-novas do universo eram capazes de ofuscá-lo... E esse anjo brincava também em meio aos astros do céu. Ambos conversaram por muito tempo, como o garoto e a garota na Terra, esta que era parte do bonito anjo encontrado e esse parte dela, e aquele que era parte do anjo do começo da história; No final, o garoto se apaixonou pela garota, sem saber se era o anjo que se apaixonava pelo outro anjo, ou se ele se apaixonava pela moça. Mas as conversas continuaram, e a garota apenas sorria, mas não se entregava ao garoto, e no céu os anjos brincavam, mas não se aproximavam demais... Era o começo da paixão. O anjo começou a palpitar, perdia a calma (era ele ou o coração do garoto que era parte dele? Que moleque bobo que o fazia se agitar!) e mal podia falar perto de seu amor que era o belo anjo, e o garoto que virou poeta e mal podia se expressar para seu amor que era parte do belo anjo...! Mas porque raios? Era o coração que era o anjo, ou era ele que era a parte do anjo? Os dois não entendiam de quem era a culpa. E a moça ia acalentando os dois, mas sem romance. Coitado do anjo! Ficou tão apertado! E o garoto, por tabela ou por causa, ficou tão amargurado... Ele a queria, mas ela era parte do bonito anjo que brincava com o anjo do começo da história, mas não queria ficar com ele, já que era seu amigo... Então a garota que era parte do bonito anjo que era o coração dela não se apaixonou pelo garoto que era parte do outro anjo... E a história se enrolou e se enrolou... O Poeta que era o garoto que era parte do anjo do começo da história passou a escrever belos versos de amor em louvor a sua deusa a quem chamava de Anjo, mas na verdade ela era parte do belo anjo, pelo qual o seu coração que era o anjo que brincava no universo no começo da história se apaixonou... E nesses vai e vens do amor, só uma coisa restou... Os belos versos da valsa do amor.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Eu e você = química


Eu e você = química

Bruno Costa

Eu e você somos uma mistura reagente
Leve toque de muito desejo e sedução
Eu e você somos mistura intransigente
Que pode esquentar até uma explosão

Eu e você destruímos quando reativos
Em meio às discussões somos o assunto
Uma mistura, alguns químicos criativos
Eu e você construímos quando juntos

Nós dois juntos somos muito completos
Inteiramente unidos até o fim dos dias
Porque nada vai romper nossa ligação

É o grande poder de reação da paixão
Que faz criar as coisas num mundo novo
Cheio de desejo e de muita sedução.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Prosa Poética

O que foi rapaz, está tão triste por quê? Caiu de Andrômeda e bateu o pé em Marte? Limpe essas lágrimas, não há razão de quê, tome intento garoto que o momento é outro. Onde estão as rédeas e o controle da situação de que Você tanto falava?!?!? A sua confiança era tão grande e se abalou por uma chatice tão marasmática? Você é muito grande, meu pequeno! Não se deixe exaurir por pouco. E também tampouco se deixe por algumas desilusões! Dê-me a mão, vamos conquistar a Lua... Olhe para aqueles anjos, eles estão montados em cometas perseguindo estrelas...! Até Deus nosso senhor lhes dá folga. Limpe a poeira rapaz, ou vamos perder o trem Sé-Paraíso. Não esqueça sua algibeira, não vá ficar sem munição para o estilingue. Vamos ver quem acerta mais pedras no galho mais alto daquela Briófita?!?!? Você só morre quando deixa de sonhar, e se você é o super-homem ou o Soprano de Vladisvotok vai de cada dia... Agora se levante e escreva com essa canetinha hidrocor seu nome no céu... Ei, espera aí! Eu também quero comer doce de nuvens!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tem tudo a ver com os sonhos

Não sei explicar o que me faz mais feliz. Mas só sei que meu coração está alegre, e que estou me sentindo muito bem... Existem vários momentos para se estar comigo, e quem já passou por mais de um deles sabe das diferenças. Existe aquela hora que eu só quero estar com todo mundo, dar risada, fazer brincadeiras... Nesses momentos eu dou sorrisos calmos e me divirto de verdade com todo mundo. Até ouço as mesmas conversas como se fossem grandes novidades! Mas também existem os momentos que me sinto deslocado do mundo, como se nada fizesse parte de mim, como se eu na pertencesse a este lugar... E isso ocorre freqüentemente. Eu falo que são crises cíclicas, que vem e vão, e se alternam com os outros momentos. Essas crises normalmente duram menos do que a importância que eu dou a elas. E quem me conhece sabe que existem momentos em que estou simplesmente descarado, com vontade de exercer a minha própria maldade... Claro que de um jeito bom...! Conversas irônicas, tiração de sarro... Nessas horas saem as melhores cantadas, os melhores argumentos e as melhores discussões. Meu pai que o diga, política, sociologia ou futebol, horas e horas discutindo coisas abstratas...
Não dá para prever como vou estar. É puramente espontâneo! Mas às vezes eu tento me fixar e ser de um tipo específico. Como isso sempre dá errado, eu acho que é uma insistência besta a minha de tentar fazer isso. Mas, todo mundo tem manias bobas afinal. Eu botei na minha cabeça idéias definitivas, planejei uma vida e acreditei naquilo. Coisas aconteceram e os meus planos foram subjugados pela falência da minha empreitada. Como isso me desanimou! Mas eu continuei batendo na mesma tecla, querendo as mesmas coisas... Como eu disse, cada um com sua mania boba. Tive que em machucar mais do que o necessário, sofrer mais de uma vez e ter meu sonho destruído várias vezes, para poder aceitar que tinha sido intenso, porém acabara... Não sei se eu cresci com o processo, mas se isso ocorreu, realmente tudo tem algo de bom afinal. Agora estou escrevendo uma nova história. Aos poucos eu fui lapidando, e a primeira parte dos meus objetivos foi alcançada. Finalmente faz sentido falar em virada de jogo. Obrigado a todos que me apoiaram e conviveram comigo, não vou desistir nunca! Darei o meu melhor. Acho que sei porque estou feliz... Tem tudo a ver com sonhos.

Viver menino, morrer poeta


Viver menino, morrer poeta
Bruno Costa

Vivo porque esse gigante mundo gira
Canto porque a minha alegria é grande
Sorrio porque sua presença me inspira
Sonho porque te quero a todo instante

Perco-me em suas palavras e quero fugaz
A cada dia um momento, uma concretude
E mesmo o grande mal da rotina é incapaz
De retirar do meu amor por ti a virtude

Vivo a escrever e a poetizar teus olhos
Sonho os meus desejos, juvenis confrontos
Escrevo meus sonetos de pequeno poeta

E faço tal coisa por entre poucos espólios
E na guerra da paixão em mim eu encontro
O que é o viver menino e o morrer poeta.

Cinco Pontos para Mudar de Vida [IV - V]

Quarto Ponto – “Abandone seus vícios”. Talvez o mais difícil de se fazer. Abandonar coisas que aparentemente nos fazem bem talvez seja o mais desafiador de tudo. Mas quando estamos ligados a algo de tal forma a não podermos ficar sem isso deixa de ser algo benéfico e passa a ser nada mais do que uma fuga da realidade. O prazer adquirido é logo esquecido e transpassado por nossas fraquezas, e a alegria momentânea transforma-se em tristeza e dor; A coisa vai se tornando cada vez mais necessária, e isso vai consumindo nossa alma por dentro, tornando-nos suscetíveis a erros que não cometeríamos caso estivéssemos sóbrios - não necessariamente sem beber, mas sim sem nos viciar - e que de fato nos torna mais fracos do que o normal... São pequenas coisas que podemos largar... Pode ser a vontade de comer chocolate todos os dias ou o olhar de alguém que nos escraviza. Libertar-se é e sempre será a melhor alternativa para esquecer as dores e ter o corpo limpo para executar as determinadas tarefas do dia a dia. É complicadíssimo imaginar-me, por exemplo, sem me envolver demasiado com algumas situações, não sou muito bom em separar as coisas. Mas eu talvez tenha que aprender isso também. Não consegui abandonar meus vícios completamente, mas agora eu posso dizer que estou bem perto de fazê-lo. A imagem vai cair, a máscara vai sumir e a armadura vai rachar pela Segunda vez... Se eu der sorte, ela quebra nessa e não haverá próxima. Aprenda a ser você, sem prazeres frágeis e sensíveis, sem vícios desnecessários. Faça que o seu sentir seja absoluto e tome as rédeas da sua felicidade. Não há razão para não tentar. Não há razão para se contentar com pouco, quando o mundo lhe aguarda; O mundo é o que sempre existe em um único lugar. O mundo é você, e se você consegue sair do precipício da facilidade imediata, consegue largar o prazer banal e construir uma alegria verdadeira... Então faz sentido em falar sobre ser você mesmo. “O que é passageiro passa, com os prazeres não é diferente”.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Homenagem a dama



Homenagem a dama
Bruno Costa

Ao olhar em seus olhos eu descobri
Um mundo inteiro ao meu adormecer
Era em um sonho é muito bem verdade
Mas ele me fez sorrir, me fez espairecer

Tomava-te em meus braços, ainda ouço
A minha mente perde-se e ainda te canta
Sua beleza tranca, é como um calabouço
E me faz desejar-te ó minha doce dama

Desculpe, sou apenas um pequeno poeta
Que mal pode expressar a sua própria paixão
Que vive nos sonhos uma imagem incerta

Que te guarda, louva e adora no coração
E louco por ti eu imploro ao meu Deus
Que nada acabe com essa nossa união.

sábado, 28 de novembro de 2009

Poema incompleto



Poema incompleto
Bruno Costa

Uma ou duas ou até mesmo três rimas
Dois quartetos e também dois tercetos
Uma linguagem culta que só os legitima
Essa é sem dúvidas a forma dos sonetos

Conteúdo que fala de amores ou ódios
Pode ser metalinguagem, ou pode não ser
Eles são bem mais do que simples espólios
Eles são a experiência que o poeta quer ter

A quem lê parecem um grande tesouro
Já o poeta se vier a encarar tal platéia
Irá sorrir de lado e continuar a escrever

E no final do soneto tem a chave de ouro
O último verso que fecha a simples idéia
E torna-se o desfeche dessa arte que é ler

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Corpo



Corpo
Bruno Costa

Um beijo com abraço, a mão no pescoço
Arrasto, encosto e te pressiono com força
Delineio teu corpo com os dedos em esboço
Deslizo as mãos nas coxas, língua na sua boca

Arfo forte, você geme, ambos gritamos roucos
Quando meu corpo penetra, invade teu corpo
Sentindo a pele, o calor, deixando-nos loucos
Suor e prazer, sexo e paixão também envoltos

Giro-te, em cima de mim você se movimenta
Perde-se no prazer, esquece da própria razão
Eu dentro de você e a temperatura aumenta

Minha língua em sua boca causa transpiração
Um intenso jogar de quadris tão só apimenta
Com um abraço apertado, cheio de excitação

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Eu queria



Eu queria

Bruno Costa

Eu queria poder desejar uma vida
Ou mesmo nessa ao começo voltar
Para fazê-la feliz, menos sofrida
Uma vida para eu me apaixonar

Eu queria esquecer os meus medos
Dar voz e razão aos meus desejos
E por fim nascer sem ter receios
Para realizar todos os meus anseios

Eu queria que o tempo parasse
Quando olho nos seus belos olhos
Eu queria que você se apaixonasse

Quando eu recitasse os meus versos
Eu queria que você apenas me ouvisse
E comigo vivesse esse grande amor.

Haicais

Céu azul anil
Nuvens brancas no vazio
Tenro Contraste.

Vento e brisa
Tocam a pele lisa
Sensação fria.

Flores e fotos
Natureza parada
Guardada, fraca.

Cidade Cinza
Prédios, pessoas cinza
Vivendo Cinza.

Belo de se ler
Difícil de entender
Arte do Haicai.

Poemas curtos
Isso é que é Haicai
Tente não exagerar.

Libélula mãe
Árvore casamento
Perfeito laço.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Amor sem razão



Amor sem razão
Bruno Costa

O amor é somente pura contradição
Condena-nos a esquecer da razão
É inexplicável seu efeito no coração
Quando trás simplesmente emoção

O amor é o desejo escrito em versos
O amor são os seus anseios diversos
O amor não existe longe dos amantes
O amor são as brisas do mar constantes

O amor é um bicho de sete cabeças
Ele é simplesmente inexplicável
Ele é simplesmente apaixonante

O amor tem sempre suas belezas
O amor tem sempre seu ideário
O amor sempre me faz inconstante.

Cinco Pontos para Mudar de Vida [III - V]

Terceiro Ponto – “Ame sem impor condições, ame por amar, com toda a força de sua alma”. Esse talvez seja uma conseqüência dos outros dois pontos anteriores. Você nunca deve deixar de amar. Quem não estiver disposto a compartilhar com outra pessoa todo o seu afeto, a sua realidade, os seus sonhos, os seus dogmas, não conseguirá jamais atingir a verdadeira felicidade. Só somos completos quando dividimos. Nem que seja para amar um amigo, amar uma pessoa da família, ou se for para entregar de corpo e alma para um amante; A pessoa deve sempre abrir seu coração para o amor. O sentimento puro, simples, amar apenas por amar, querer sorrir, conviver. Não devemos nunca nos deixar abalar e cair, esquecer desse principio fundamental que constrói e modifica todas as coisas. Acreditar no amor é quase uma constante de felicidade. Muitas vezes sofremos muito por causa dele, isso é bem verdade, mas aos poucos nos acostumamos e percebemos que na verdade somos seres infantis e pueris, que ainda não aprenderam a viver a vida intensamente. O amor vai e volta, constrói e derruba, levanta e faz rir e chorar. Uma desilusão amorosa pode ser na verdade um novo começo, uma nova idéia, um novo princípio de existência. Se fecharmos nossos olhos e nossa alma, e abandonarmos a sensações do amor simplesmente estaremos negando a nós mesmos o direito de amar e de ser amados, o direito de conviver junto com alguém que mais do que nos faz bem, nos faz melhores. Entregar-se ao amor de outra pessoa, seja de qualquer uma das formas que esse se apresente é de longe uma virtude e uma força, e não uma fraqueza como dizem alguns. Aqueles que dizem isso não estão prontos para amar, e talvez percebam tarde demais o que o amor pode fazer por eles. O importante é nunca desacreditar, e ver que nos olhos de outra pessoa pode estar o complemento que acalma e que faz de nós mais fortes. Não precisamos entregar nossa individualidade e nossos sonhos, não precisamos deixar de viver o que nos reserva. Apenas podemos ser nós mesmos e sermos um com quem amamos, basta saber equilibrar. Todos têm uma própria história e um conjunto de fatores que influencia sua vida, sejam amigos, família, idéias... Nada disso precisa ser deixado para trás quando amamos! Basta completar tudo isso com quem nos faz especiais, com quem nos ama e a quem amamos. Isso fará a vida muito mais leve e divertida. Prazeres falsos e desacreditados, chorar por amor, dizer que não é capaz de fazê-lo é pura ilusão. Ilusão de fraqueza. “Quem não sabe amar e viver ao mesmo tempo é mais fraco do que aquele que ama intensamente e é capaz de ter suas próprias idéias”.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Anjo



Anjo

Bruno Costa

Tu és um belíssimo anjo, doce criança
Que com os olhos puros me conquista
Faz-me escravo de uma bela lembrança
E com seus trejeitos me faz romancista

Tu és o mais perfeito anjo do céu
Faz-me sonhar e ser um pequeno poeta
Que em meio às palavras cheias de mel
Mal pode descrever-te a beleza eterna

E com esse sentimento de puro afeto
Ei de te amar para sempre com fervor
Pois és um belo anjo, meu amor completo

E posso dizê-lo aqui sem nenhum temor
Você agora habita meu sonho incerto
E durmo sorrindo em meio ao nosso amor.

Cinco Pontos para Mudar de Vida [II - V]


Segundo Ponto
– “Não tenha medo de mudar”. Esse é um dos segredos para viver a vida com a felicidade no ápice. A vida é feita de mudanças e de reviravoltas, não as tema. Quando estamos acostumados com algo normalmente nos apegamos a isso violentamente, de modo a não soltá-lo de modo algum. Isso de certa forma é comum e inerente à natureza humana. Mas não devemos nos deixar levar pelo puro comodismo de ser. Aquilo que sonhamos deve sempre ser mais importante do que a nossa atual situação e o que guia os nossos instintos e sonhos é a perspectiva de mudar, de alterar. Se nos impedimos de modificar a nós próprios, o que somos? Nada. Somos simples seres viventes sem liberdade e sem natureza. Devemos nos deixar levar, modificar as nossas perspectivas de modo à sempre acreditar que a mudança é o melhor caminho. Se algo está errado, mas tememos alterar o ciclo das coisas, é porque ainda não nos libertamos da sensação de ter isso. Nunca que essa situação complementará o nosso espírito e dificilmente nos deixará agir do modo mais indicado, de forma a alcançarmos novos objetivos. Não olhe para trás de forma maternal e desiludida de futuro. O pior castigo que se pode impor ao homem é tirar-lhe as esperanças e os sonhos, é delegá-lo à inércia e a indiferença, ao eterno comodismo e a eterna sensação de marasmo. Não faça tal injúria a você mesmo. Não abandone as oportunidades que lhe surgirem, não deixe de viver por temer o futuro. É muito melhor se arrepender de ter feito do que se arrepender de não fazê-lo. O mundo gira e as pessoas mudam. Mude você também. Nem mesmo o céu – contrariando um velho ditado – é limite para quem acredita de verdade no seu próprio potencial, e aproveita cada momento que lhe é dado para mudar a situação, remexer os princípios e sorrir em frente ao acaso. Nada pode impedir uma mente que deseja novas idéias, que sonha até o infinito. Como diria Einstein: “Uma mente que se abre a uma nova idéia jamais retorna ao tamanho original”. Portanto, o medo só lhe impedirá de se sentir melhor. Aproveite o dia sem olhar para trás, acredite no seu futuro, abra os olhos e veja o que lhe reserva a vida. Sorria calmamente, abra os braços e receba a metamorfose construtora.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Lembra-me de outrora


Lembra-me de outrora

Bruno Costa

Lembra-me de outrora em meus sonhos
De quando só o amor me importava
Lembra-me com teus lábios risonhos
De quando a felicidade me transportava

Fazei eu me perder em seus belos olhos
E delinear seu corpo em meus desejos
Fazei que eu encontre de novo um foco
A razão suprema dos eternos anseios

E hei de me perder em algum tempo
Enquanto em meio ao seu doce beijo
Cantarei aos brados do divino advento
Encontrarei então uma forma, um meio

E um dia seu amor e sua beleza puros
Farão de mim um homem completo
E hei de ser muito feliz para sempre
Mesmo no futuro mais que incerto.

Cinco Pontos para Mudar de Vida [I - V]

Primeiro Ponto“Acredite em si mesmo”. Apesar de ser um clichê, e muita gente dizer isso, poucos ouvem realmente o que essa frase quer dizer. Ninguém vai te mostrar o caminho correto ou dizer o que você deve fazer. Apenas você conhece seus próprios problemas e angústias, e sabe a solução para eles. Quando analisamos a nossa própria situação somos capazes de tomar as melhores decisões e por diversas vezes capazes também de alterar o destino que nos é imposto pela atual conjuntura. O que nos dificulta e faz dessa tarefa simples algo árduo e desanimador é a nossa própria síndrome de auto-piedade e a opinião alheia, que influenciam os nossos próprios desejos e ambições. Basta raciocinar cartesianamente: a nossa felicidade depende exclusivamente do modo como encaramos a via e a vivemos, e não das situações que nos são impostas. Apenas a forma como você vai encarar obstáculo por obstáculo, passar pelas dificuldades é que vai definir o quão feliz você será. Nós normalmente não paramos para pensar que todas as dificuldades que enfrentamos são desafios e que é o desejo de superá-los que faz da vida algo divertido e verdadeiro. Acreditamos em uma felicidade perfeita e intocável, livre de problemas e de situações delicadas, e esquecemos que se tal coisa existisse - e não existe - ela não seria anda mais do que fútil e desagradavelmente irrelevante. Só sonhamos com o ócio porque não o vivenciamos, pois se nossa situação fosse a inversa, desejaríamos com toda a certeza o oposto, que é a nossa atual situação. Por isso, acredite. Pois se você não acreditar, ninguém há de fazê-lo. E a cada desafio que encontrar, erga a cabeça e grite que nada há de lhe parar, e que você derrotará quem vier contra ti. Lembre-se de tudo o que quer e sonha, lembre-se que você é o deus de seu próprio mundo e o herói de sua história. Acredite. E quando algo tentar lhe fazer chorar, você deve rir ironicamente e dizer: “Nem no dia mais escuro, na noite mais fria ou na tempestade mais assustadora eu hei de abandonar a minha fé em mim mesmo. Você não me derrotará”. Você deve passar de cabeça erguida, já esperando o próximo desafio.

sábado, 24 de outubro de 2009

O Trem

O Trem
Bruno Costa

Na estação estou sozinho à névoa
Em companhia do doce e frio luar
Espero sombra, me vêm vento e chuva
Tudo me esquece, me faz desvairar

Coração perdido com fome de sonhos
Procuro no céu estrelas e vejo nuvens
Um arrastar de metal forte é o som
Trilhos é o trem que trás as mágoas

Abre a porta, é um crack, interjeição
Entro, a água escorre e minha alma vai
Chão de ferro me faz perder a razão

Volta o arrastar e com ele o desejo
Escorre a água e minha alma vai
Olhando nos vidros a multidão.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mundo Desumano

Mundo Desumano

Olha só, esqueça não vou olhar, mas olhe, é aquele garoto, não, não é, você não pode ignorá-lo para sempre, posso sim, ele não existe, mas é sua consciência falando, não, não é, posso provar que não é, e se ele me roubar, e se ele me estuprar, não vou parar, tenho filhos para criar, não posso me dar ao luxo, você não tem o direito de me julgar, não sabe o que é ter alguém a quem cuidar, alguém para embalar em meio a uma canção de ninar, ele também é uma criança enfim, e fome ele está passando, não sou sua mãe, não posso fazer, mas ele está triste, parece um anjo caído, não, não posso, não tenho dinheiro, não tenho tempo, ele que procure uma igreja ou uma instituição responsável, mas todos nós não somos responsáveis por nós mesmos, mas isso não importa, ninguém nunca se quer me ajudou, porque hei de ajudá-lo, porque é um ciclo e alguém deve quebrá-lo, porque esse alguém tem de ser eu, estou passando, só quero ir embora, ir para casa cozinhar, ver meus filhos e meu marido, não posso parar, se parar me roubam ou até mesmo o menino, e se ele comprar drogas com o dinheiro, ou até mesmo armas, não posso arriscar, ele é um marginal, um vadio, um ladrão e por isso está na rua, mas como há de saber, nem falar com ele você falou, sei pelos olhos, essa gente é ruim de natureza, nasceram para fazer o mal, não diga isso é uma criança e tem fome, pare o carro, abra a janela, dê a volta ajude-o, não dê dinheiro, alimente-o, ele precisa de mais do que migalhas, com fome ninguém tem futuro, esse sinal que não abre, esse trânsito infernal, da próxima vez vou de ônibus, não chegarei nunca, olhe para o menino, já disse que não olharei, ele não existe, e se existe merece onde está, porque julga-o tanto se nem sabe pelo que ele passa, é só abrir a janela e chamá-lo para comer, ele é um garoto e deve estar faminto, você não pode deixá-lo assim, e se ele morrer, se ninguém mais o ver, você aprendeu a ignorá-lo e se todos forem assim, se todos interpretarem que ele não merece misericórdia, quem é você para dizer o que devo fazer, não passa de um desvairo, não passa da minha imaginação ridícula, olha só, ele está andando, está com frio, é a chuva, a chuva começou a cair, ele vai adoecer, não tem ninguém que pode ajudá-lo, será que ninguém me ouve, será que todos esqueceram do que é ser humano, vou ligar o MP4, não quero mais te ouvir, já me estressou, e eu preciso de silêncio, tive um dia duro, trabalhei como uma escrava, me deixe no meu mundo, ouvir a minha música favorita, talvez uma canção de amor, talvez um ato de rebeldia, o garoto, ele só queria um pouco de atenção, você o ignora, e quem será ele então, sua música canta amor, e você apresenta dor, sua música diz revolução, e você canta ilusão, lálálálálá, faz isso porque não o encara, não tentou jamais vê-lo, conhecê-lo, lálálálálá, não lhe incomodarei mais, tenho que ir ao shopping amanhã, tem umas blusas lindas que decidi comprar, tem coisas belas que decidi usar, acho que preciso de um par de sapatos, talvez dois, tem uma festa amanhã, a chefe vai estar lá, é hora de investir na promoção, carreira e sucesso lá vou eu, que música linda, eu nunca a tinha ouvido, agora percebo que é realmente bela, porcaria de farol, não abre, esses carros, essa cidade está lotada de carros, as pessoas deveriam se conscientizar e andar de ônibus, vou abrir a janela e gritar, talvez buzinar um pouco, fazer esse povo andar, não posso esquecer da gasolina, está cara mas dá para andar, lutei para comprar meu carro, mereço o conforto do mesmo, que bom que a voz parou, como se eu tivesse algo à ver com aquele menino, aliás, que menino, não há menino algum, agora olho e vejo que era tudo coisa da minha cabeça, essas peças que nos pregam, pensando bem, eu vou dar uma passada na doutora, tenho tido muitas alucinações, talvez ela me passe um remédio e eu esqueça, desse jeito não vou chegar a tempo da novela, esse povo que não anda, em casa meus filhos tem fome, bando de lesmas, onde já se viu deixar crianças passando fome, isso é um absurdo, eles chegam da escola e querem comer, para poder dormir e crescer, a culpa será de vocês caso eles passem mal, meu marido coitado, trabalha o dia todo e merece um descanso e o alimento de todo dia, essa favela aqui ao lado que não para de crescer, cadê o planejamento urbano, a percepção do espaço, não, não há, o governo deveria fazer algo, desse modo, é estranho, agora está andando mas bem devagar, me esqueci de marcar com a manicure, droga, será horrível achar hora agora, que azar, mas o que, parou de novo, desse jeito não vou chegar, uma cristã não pode nem ao menos descansar, atirei pedra na cruz, não fui a missas suficientes, meu Deus eu só quero em casa chegar, e hoje não consigo, estou a horas no trânsito, isso é desumano, vou ligar e reclamar, juntar alguns amigos e protestar, a situação está caótica, não posso assim continuar, nem em casa vou chegar, que tipo de lugar é este, lugar feio, tem pobreza, tem pessoas, onde já se viu, vivem procriando por aí, tem milhares de filhos e depois não podem cuidar, aí o dinheiro não dá e ficam nessa situação, esse povo deveria ser castrado, o gente ruim, depois viram assaltantes e roubam pessoas de família que só querem chegar em casa, hoje tem jogo, meu marido via querer ver, será que ele já chegou, não sei, vou ligar, homem, você já chegou, estou presa no trânsito, próximo a favela, estou assustada, pode ser perigoso, é de noite e tem vários vagabundos nas ruas, encostados nas paredes, tenho medo de tentarem me roubar, desde tão jovens entregues ao crime e as drogas, se acalme, logo há de andar, se ficar com muito medo, ligue para a polícia, eles não vão tentar nada, só estamos com um pouco de fome, não como há horas, desde o almoço e já é meio tarde, como posso esquentar algo, não se preocupe, logo hei de chegar, mas frite alguns nuggets e sirva para você e para as crianças até eu chegar, desculpe por fazê-los esperar, cobre a lição de casa, eles tem que ser alguém na vida, não podem se tornar vadios, a professora falou que um deles cabulou aula, não pode, eles podem se envolver com más companhias, más companhias que tem fome, o que você disse, eu nada, tudo bem, então até daqui a pouco, até, eu te amo, eu também, que homem maravilhoso que eu tenho, hoje a noite vai ser especial, ele nem vai conseguir trabalhar amanhã, que porcaria, agora começou a andar, vou sair daqui, de perto desses bandidos mirins, olha, eles estão se aproximando daquela moça, ela abriu a bolsa, é um assalto, um guarda, eles correram, coitada, ela deve estar muito assustada, também, que irresponsável, andar sozinha à noite por aqui, ela diz algo ao guarda, eles discutem, o que houve, não sei, não dá para ouvir, provavelmente ela está brigando por ele não ter vigiado a rua direito, bem feito, esses incompetentes, deveriam prender e sumir com esses animais, esses ladrões e bandidos, desde tão jovens no mundo do crime, eles tinham fome e ela foi ajudá-los, você de novo, como pode saber, não fique especulando sobre as pessoas, já estou chegando em casa, e vou finalmente descansar, que dia mais tirano, que dia mais desumano.

A Razão da Chuva


A Razão da Chuva

Bruno Costa

A chuva cai e lava o céu dos pecados
Encobre as belezas e mistérios da vida
Encosta e acolhe os corações intocados
Faz com os amantes e outrem uma dívida

Lágrimas dos anjos do céu e da terra
Chuva lúcida que acalma a fria tristeza
Que lava a alma e tão só a desterra
Faz de todos nós seres de pura realeza

Chuva que destrói e constrói mil razões
Que trás a todos grandes emoções
Chuva que está acima do bem e do mal

E dos homens e de seu desejo mortal
Chuva que enternece os puros corações
Chuva desejada, divina, chuva irreal.

sábado, 10 de outubro de 2009

O Reino dos Homens


O Reino dos Homens

Bruno Costa

Ó doce coração enamorado de estrelas
Que goza que ri e que chora por um sonho
Perdeu-se no mar em meio suas cabeleiras
E agora olha com um sentir tão tristonho

Queres o prazer terrestre ó doce coração
Sem abandonardes o céu e seus serafins
Isso és pouco mais do que uma pura ilusão
Não atingiras o céu se grudado a terra enfim

Queres a vida pacata da família e do luar
Queres as luzes da noite em seu patamar
Queres aos filhos poder um dia cantar

Queres junto às mulheres poder gozar
Você pertence sim ao reino dos homens
Pois tu és pura contradição, ó doce coração.

Poeta às Avessas

Sem razões, sem explicações. Não existe um modo de se delinear alguém ou definir quem essa pessoa é. Muito menos conseguimos definir a nós mesmos, já que a nossa perspectiva sempre leva em conta os nossos próprios sonhos e desejos, e nunca uma visão exterior aos nossos próprios sentidos. Somos nossas próprias palavras, embora abandonemos as nossas perspectivas individuais pelas prerrogativas externas e façamos dos desejos alheios a nossa própria individualidade. Preservamos apenas parte do que consideramos nosso – embora não tenhamos nada propriamente nosso que já não tenha sido pregado em um contrato social – e isso faz de nós um pouco mais do que simples massa de retorno, um pouco mais do que o resultado de uma construção social. Deixamos os nossos instintos e a nossa individualidade para sermos um ser social, apresentável e contido, seguidor das regras e pressupostos coletivos.
Não sou muito mais do que esse pressuposto. Uma imagem social, um ser contido e figurativo num mundo ao qual não escolheu. Nascido em uma época, nascido em um local e com uma vida. Determinado ao fracasso ou à glória, determinado a agir como um homem ou como um Deus, isso não diferencia muito mais dos anseios dos diversos homens que se declararam únicos e especiais. Ser diferente é ser especial, embora poucas pessoas possam afirmar que são diferentes; Todos nós desejamos fugir à inércia social, e claramente deixar essa situação de constrangimento em que não podemos expressar o que realmente sonhamos e queremos. Quando alguém diz que você não pode fazer algo e lhe proíbe de fazê-lo simplesmente está lhe dizendo que o seu desejo é inferior à sociedade. Já dizia o iluminista “O homem abre mão de sua liberdade para ter segurança”, e atualmente nós concluímos que além de estar certo, ainda aumentamos o seu conceito de segurança e liberdade, entregando além de nossa liberdade física e emocional, a nossa razão e as nossas idéias;
Porque o homem que vende seu corpo e seu tempo, trabalha pelo sustento e lucro alheio não pode vender além de tudo as suas idéias? Somos a catástrofe do processo, o meio termo inócuo e sem vida. Deixamo-nos para trás e somos o que nos é imposto. Mesmo desejando a mudança, nos entregamos ao sentir próprio. Escolhemos o eu, e esquecemo-nos do que construímos. Não existe visão de um ser isolado e que viva exclusivamente do eu, independente de qualquer outra pessoa. Dependemos única e exclusivamente das nossas relações e contradições, das brigas e das conciliações, dependemos da morte e da vida de outrem. Não existem idéias sem raciocínio prévio. E o nosso mundo está carente de idéias, pois nos largamos a pensar no coletivo e esquecemos o individual, mas ao mesmo tempo pensamos em nós mesmos, e esquecemo-nos do que a nossa vida é circundada: pessoas. Embora essa ambigüidade seja clara, ainda assim continuamos no processo do famoso lema: “dividir para conquistar”, e somos a suprema divisão conjunta.
Que visão de mundo nós podemos ter a partir dos dados criados? Não existe reposta. Se houvesse tal explicação não existiriam filósofos e menos ainda sociólogos. A nossa própria existência culmina na necessidade de criar esses personagens que expliquem mesmo que um pouco o nosso próprio destino. Os poetas se extinguiriam, já que a contradição humana some, e essa é sem dúvida a fonte de toda a criatividade, a fonte de toda a realização, a eterna contradição humana. Alheios e participantes do processo, nós somos a massa e somos o individuo. Não sabemos se o que importa é o bem estar coletivo ou a satisfação das nossas próprias vontades; Facilmente manipuláveis e alienáveis. Nossos vícios e nossos ópios que nos fazem esquecer a razão de ainda estarmos presentes e contínuos do processo, engrenagens que querem ascender a engrenagens. Não há saída nem visão de mundo agradável a nós mesmos. Criticamos e botamos a culpa no externo, nunca é contra a nossa própria razão, e sempre é contra a razão coletiva. Quem nunca ouviu a frase: “Devemos nos unir e mudar a situação!”, pois esta é sem dúvida a maior manobra de reação entre as chamadas “cabeças pensantes”.
Mas até mesmo em um meio de revolta à maré, revolta ao processo e contra as imposições sociais, o mundo cria e controla a alienação inversa; Pessoas que se julgam superiores a análise alheia e que divulgam um ideal aos quais poucos conhecem. A alienação de esquerda – um termo político, mas que cai bem a definir tais revoltosos – que se julgam críticos do sistema e da suas contradições, mas tão embora sejam apenas negadores totais e absolutos da atual realidade, e que não enxergam nada de bom e aproveitável na existência humana. Tal julgamento é tão ou mais danoso e nocivo a mudança da realidade social medíocre em que vivemos quanto se invertermos a consciência: a alienação total. Ao negar o mundo e rejeitar os traços existentes lutando por uma mudança radical e sem base estrutural eles danificam as próprias idéias. O ato de rebeldia não é nada mais do que pura vadiagem caso não ataque a base do sistema. Criticar o sistema sem atacar profundamente suas bases e sua existência não é tão melhor do que não criticá-lo.
Assim sendo, os homens não criaram uma forma de convivência pacifica e igualitária. Somos nada mais do que resultado da união de seres diferentes e iguais quando unidos em multidão. O anseio de milhares morre na sede de um só. E ouvimos poesia, vamos ao teatro e tocamos harpa em meio ao esquecimento e a dor de todo o sempre. Assim vivemos e assim morremos: simples anjos esquecidos em meio à terra dos homens. E no meio de tanta escuridão e dúvida, sempre surge um raio de sol, que indica o começo de um novo dia, onde venderemos novamente a nossa alma e a nossa liberdade em troca da segurança da rotina. E a quebra de tal paradigma é punida na forma da perda do ópio e do vício de cada dia, que nos faz bem enquanto dura. Não há saída do processo, enquanto gostarmos do processo. Protestar sem largar os próprios vícios é ineficaz. É enganar a si próprio, coisa que com o tempo, se torna outro vício.
Portanto, sou a existência construída pelo tempo e pelas contradições humanas. Um ser individual e coletivo, que prefere visualizar mais coisas a apenas uma situação momentânea e passageira, que prefere ver o que foi construído e pode ser modificado. Não duvido que as minhas próprias conclusões tenham sido construídas a partir de vários conceitos sociais, e que eu também seja criatura surgida das ambigüidades modernas. Mas em meio ao desvairo e a desistência das pessoas, a sua inércia social, seja essa como alienação ou como negação dos preceitos, sou uma pessoa que pensa mudar o mundo, nem que seja o seu próprio. Fui forjado ao fogo das armas da revolução com o mármore do palácio real, tendo como acabamento o ferro das cruzes cristãs lustradas com os óleos das meretrizes do maior Saloon de Paris; Existo como o eterno paradoxo das idéias humanas, desde as crises emocionais ao grito dos revoltosos vitoriosos. Não existo em mim, já que nenhum de nós existe em si mesmo. Não tenho nada demais, mas prezo pelo valor das minhas idéias. Sou a fina flor das contradições humanas, a jóia lapidada onde mil poetas morreram sobre os cadáveres de mil filósofos; Sou a pedra que não virou angular, sou o meio e o fracasso do processo, muito prazer, sou Bruno Costa.

domingo, 20 de setembro de 2009

O Destino do Poeta

O Destino do Poeta

Bruno Costa


Adormecer, crer, viver e só responder

Caminhar, lutar, acreditar e só sonhar

O destino do poeta é tão só escrever

O destino do poeta é tão só amar


O destino do poeta é tão só sofrer

Escrever nas paragens do amor singelo

O destino do poeta é tão só querer

Construir um amor como um castelo


Não olhar para trás, sem se arrepender

Para aí descobrir o significado de viver

Amar até o fim da razão de seu mundo


Ver o horizonte melhor e nele querer

Enterrar anseios no coração profundo

Dias melhores, mais um destino de poeta.

Divergências Humanas

O ser humano é complexo e inexplicável. Somos a união da racionalidade e do sentimento, da fé e da ciência. Por isso somos incompletos e variáveis, não temos necessariamente uma linha clara de ação. E disso podemos tirar grande parte da nossa criatividade e potencialidade criadora. Aproveitamos as nossas próprias desilusões e criamos ao nosso redor uma atmosfera que nos pressiona e transformamos isso em parte do processo. Sistematizamos a realidade e transcrevemo-la para o papel em forma de exponenciais da vida humana. Pode ser uma pintura, escultura ou poesia, o que for. Elas representam não um objeto de desejo, comercial ou com fator definido. Arte é um exponencial da humanidade, e tão só assim deveria ser tratada. Mas, nós humanos somos divergentes; Então, o mais provável é que cada um a veja de forma distinta.


Mas no que se baseiam as nossas diferenças? Pensamentos, palavras, modo de agir. Somos um único ser, que já foi nomeado, ou talvez inventado, a sociedade. E dentro dela igualamos seres diferentes e elaborados em uma única massa que chamamos de humanidade. Esquecer do que nos diferencia é tirar dos homens a capacidade de serem eles próprios, é condenar ao esquecimento da coletividade alguém que pensa, reflete e vive. É nessas diferenças que surgem os maiores multiplicadores das vertentes humanas mais vivas, os maiores cientistas e autores da nossa história. Como diria o físico alemão Albert Einstein, “Uma mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao tamanho original”. Logo, se o sonho de igualdade forçada fosse real, não haveria novos conceitos, apenas o que todos pensam.


Nenhuma pessoa é melhor que outra. Ser diferente não é ser melhor. Relembrando mais nomes que fizeram a diferença, Charles Darwin, naturalista inglês – aliás, esse ano é comemorado o aniversário do livro “A Origem das Espécies”, leiam caso tenham oportunidade – diria: “As espécies com maior variabilidade são as mais prováveis de sobreviver e deixar descendentes férteis”. Então as nossas diferenças não só auxiliam a criar, mas também a nos adaptar. No final, são elas as construtoras da hegemonia e da soberania humana no mundo. Por isso, valorizemos as diferenças que constroem, adaptam e nos trazem o progresso. Um mundo melhor se constrói com o pleno entendimento de como nós existimos e vivemos. Ninguém é melhor do que ninguém. Mas podemos ser melhores do que antes, e sempre progredir.


Portanto, viva a diferença, viva a inovação. Que o homem não pereça nas suas velhas tradições desgastadas, que crie e invente. Que a suprema mistura das raças, a suprema mistura das culturas, a suprema visão de mundo que é construída pelas bases de concreto armado e marfim unidas pelos ângulos retos de nossos adornos barrocos dite a regra do mundo. O legal não é ser igual. O legal é inovar, é misturar, é ser diferente. Que nosso mundo divergente e por isso humano demonstre a superioridade da existência dos homens. Melhores do que ontem, melhores do que hoje, o futuro, a diferença a realidade vista nos olhos de uma criança que não vê problema em quem é diferente.