E hoje é dia da POESIA. É difícil dizer quem é o poeta; em geral, eu o chamaria apenas de "humano". Todos nós, que entregamos nossos sonhos e nossa vontade, expomos nossos sentimentos e idéias buscando na doce arte a calmaria, somos poetas. Porque falamos do bem e do mal, tentando nos colocar acima de ambos. Porque vivemos, choramos, sorrimos, cantamos e sofremos, sem perder a vontade de mostrar a todos o nosso próprio mundo. O que define o poeta não são suas palavras; pelo contrário, existem muitas poesias mudas, que apenas um olhar ou um som as definem. Outras tantas, são gestos, são atitudes e são desejos. Por um mundo de poesia muda, poesia cantada, poesia firmada! Poetas são as donas de casa, são os trabalhadores, são os estudantes e são os idosos! "Palavras não escrevem uma vida..." e a poesia só existe em todo o lugar. Para encontrá-la, basta sonhar. SOMOS BELOS DEUSES MAS SOMOS TRÁGICOS!
- A poesia PREVALECE! (Amadurecência, O Teatro Mágico)
- Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua, Pra escrever a música sem pretensão... (Sem Mandamentos, Oswaldo Montenegro)
- O Poeta pena, Quando cai o pano, Quando o pano cai... (Pena, O Teatro Mágico)
- E na guerra da paixão em mim eu encontro, O que é o viver MENINO e o morrer POETA. (Viver menino, morrer poeta, Bruno Costa)
Por fim, lhes ofereço um dos meus mais sinceros tesouros. Como muitos podem ver, eu gosto de sonetos modernos. Não à toa: Se tiveram inspirações para mim, com certeza foram os românticos das três fases. Porém, eu não gosto de sua regra fixa, suas sílabas contadas e suas rimas contraídas. Mas o talento incansável dos mesmos sempre foi o que me fez ver na poesia a beleza do próprio mundo. Então, descobri que um dos maiores poetas do mundo pensava como eu, e pela poesia dele, eu quis tentar adentrar no mundo da expressão literária. Em especial, tenho uma referência à três dos sonetos mais lindos que já li. Divido aqui com vocês, no dia da poesia, o que me mostrou a poesia e os textos que me fizeram poeta.
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Soneto de fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
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Soneto de véspera
Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?
Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?
Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou – fria de vida
Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida.
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Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
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Obrigado, Vinicius.
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Obrigado, Vinicius.
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Poetas da vida, poetas da existência, poetas que choram, poetas que amam, poetas que sofrem e poetas cuja felicidade conquista o mundo. Obrigado por existirem. Que o mundo seja apenas o que verdadeiramente é. A pura poesia. Hoje é o nosso dia.