domingo, 20 de setembro de 2009

Divergências Humanas

O ser humano é complexo e inexplicável. Somos a união da racionalidade e do sentimento, da fé e da ciência. Por isso somos incompletos e variáveis, não temos necessariamente uma linha clara de ação. E disso podemos tirar grande parte da nossa criatividade e potencialidade criadora. Aproveitamos as nossas próprias desilusões e criamos ao nosso redor uma atmosfera que nos pressiona e transformamos isso em parte do processo. Sistematizamos a realidade e transcrevemo-la para o papel em forma de exponenciais da vida humana. Pode ser uma pintura, escultura ou poesia, o que for. Elas representam não um objeto de desejo, comercial ou com fator definido. Arte é um exponencial da humanidade, e tão só assim deveria ser tratada. Mas, nós humanos somos divergentes; Então, o mais provável é que cada um a veja de forma distinta.


Mas no que se baseiam as nossas diferenças? Pensamentos, palavras, modo de agir. Somos um único ser, que já foi nomeado, ou talvez inventado, a sociedade. E dentro dela igualamos seres diferentes e elaborados em uma única massa que chamamos de humanidade. Esquecer do que nos diferencia é tirar dos homens a capacidade de serem eles próprios, é condenar ao esquecimento da coletividade alguém que pensa, reflete e vive. É nessas diferenças que surgem os maiores multiplicadores das vertentes humanas mais vivas, os maiores cientistas e autores da nossa história. Como diria o físico alemão Albert Einstein, “Uma mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao tamanho original”. Logo, se o sonho de igualdade forçada fosse real, não haveria novos conceitos, apenas o que todos pensam.


Nenhuma pessoa é melhor que outra. Ser diferente não é ser melhor. Relembrando mais nomes que fizeram a diferença, Charles Darwin, naturalista inglês – aliás, esse ano é comemorado o aniversário do livro “A Origem das Espécies”, leiam caso tenham oportunidade – diria: “As espécies com maior variabilidade são as mais prováveis de sobreviver e deixar descendentes férteis”. Então as nossas diferenças não só auxiliam a criar, mas também a nos adaptar. No final, são elas as construtoras da hegemonia e da soberania humana no mundo. Por isso, valorizemos as diferenças que constroem, adaptam e nos trazem o progresso. Um mundo melhor se constrói com o pleno entendimento de como nós existimos e vivemos. Ninguém é melhor do que ninguém. Mas podemos ser melhores do que antes, e sempre progredir.


Portanto, viva a diferença, viva a inovação. Que o homem não pereça nas suas velhas tradições desgastadas, que crie e invente. Que a suprema mistura das raças, a suprema mistura das culturas, a suprema visão de mundo que é construída pelas bases de concreto armado e marfim unidas pelos ângulos retos de nossos adornos barrocos dite a regra do mundo. O legal não é ser igual. O legal é inovar, é misturar, é ser diferente. Que nosso mundo divergente e por isso humano demonstre a superioridade da existência dos homens. Melhores do que ontem, melhores do que hoje, o futuro, a diferença a realidade vista nos olhos de uma criança que não vê problema em quem é diferente.

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